terça-feira, 10 de Novembro de 2009

O Inacreditável Mundo Socialista

Quando parecia que já nada me surpreenderia neste país, que me recuso a qualificar tal é o asco que sinto, acontece o espantoso absurdo. Anunciam os canais de informação socialistas, em letras gordas, que vem aí a maior estátua de sempre de um jogador. Pelos vistos Portugal será o responsável pela criação da 'Maior Estátua do Mundo de um Jogador de Futebol', que será apresentada em Maio de 2010. Num país que se afunda a 20 milhões por dia o caso só pode ser já da ordem do foro psicológico ou de extrema insensatez. E não perderam tempo, a aberrante estátua está já em produção pela WPI, uma empresa ligada ao mundo do desporto. A enormidade terá trinta metros de altura, mais dois metros que o Cristo Rei, em Almada. Parece inacreditável, um país, com tantas dificuldades, a braços com a maior crise de sempre, entregar-se na emoção mais descabida na esfera do futebol em dimensões faraónicas. Para o rei D. Carlos fizeram, em Cascais, uma estátua minorca com pouco mais de 1 metro de altura, e para um tipo que passa a vida a correr atrás de uma bola constroem uma estátua maior que a de Jesus Cristo. Só podem estar a gozar... Tal é a indignação que me fico por aqui.

sábado, 7 de Novembro de 2009

Berlusconi assegura continuação dos crucifixos

Berlusconi asegura que los crucifijos seguirán en las escuelas italianas

Silvio Berlusconi sai em defesa da tradição e dos verdadeiros valores e garante que os crucifixos não sairão das salas de aulas italianas, conservando a soberania em relação à União Europeia. O Tribunal Europeu de Direitos Humanos, com sede em Estrasburgo, em nome do laicismo e do socialismo, tenta ceifar as raízes dos europeus, mas encontrou resistência num homem que ainda pensa por si e pelo povo que o elegeu pois a população italiana conserva-se católica na sua esmagadora maioria. O corajoso primeiro-ministro italiano indiganado questiona e bem "Oito países da Europa têm cruzes nas suas bandeiras nacionais. Esta decisão do tribunal significa que esses países deverão retirar igualmente as cruzes das respectivas bandeiras só porque lá vivem alguns cidadãos que poderão sentir-se incomodados com tal símbolo?". E para além disso avisa ainda que "Trata-se de uma decisão não vinculativa, que não pode impedir a exibição dos crucifixos nas escolas do nosso país", considerando "inaceitável" a decisão do órgão máximo da nova justiça comunitária. "Quem caminha por qualquer cidade italiana não pode fazê-lo sem encontrar, a cada 300 metros, por qualquer direcção que vá, o símbolo que representa as raízes e tradições cristãs. Até mesmo um ateu, suponho, pode reconhecer o facto de que o crucifixo está profundamente ligado à nossa história", declarou Berlusconi. Em Portugal não há cristãos que se manifestem contra a descristianização porquê?

sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Nietzsche - Das Mulherzinhas Novas e Velhas

"Caminhava eu hoje solitario pelo meu caminho,á hora em que o sol declina,quando encontrei uma velhinha que falou assim á minha alma: "Zaratustra muitas vezes se dirigiu a nós,as mulheres,mas nunca falou das mulheres". E respondi-lhe:"é só aos homens que se deve falar das mulheres." "Tambem me podes falar das mulheres-disse ela,"sou bastante velha para esquecer tudo logo a seguir". Acendendo ao desejo da velhinha disse-lhe assim:"na mulher tudo é um enigma,mas este enigma tem soluçao;e essa soluçao é a maternidade. Para a mulher o homem é um meio;o fim é sempre o filho.Mas o que é a mulher para o homem? O homem digno deste nome só ama duas coisas:o perigo e o jogo.É por isso que ele deseja a mulher,que é o brinquedo mais perigoso. O homem deve ser educado para a guerra,a mulher para o prazer do guerreiro:fora disto tudo é loucura. O guerreiro nao gosta dos frutos adocicados.É por isso que ele ama a mulher;a mulher mais doce tem sempre o seu que de amargo. A mulher melhor do que o homem,compreende as crianças;mas o homem é criança,mais do que a mulher. Em todo o homem digno deste nome se oculta uma criança,que deseja brincar.Eia,mulheres,procurai descobrir a criança encondida no homem! Seja a mulher um brinquedo puro e delicado,semelhante ao diamante,cintilando com as virtudes de um mundo que ainda nao existe. Fazei cintilar no vosso amor o fulgor de uma estrela remota.Que a vossa esperança seja:"Nasça de mim o Super-homem!" Seja corajoso o vosso amor!Fortalecidos com o vosso amor,enfrentai aquilo de que tendes medo. Cifre-se a vossa honra no vosso amor!Geralmente a mulher pouco entende de honra.Mas a vossa honra é amar mais do que fordes amadas e nunca serdes as segundas. Tema o homem a mulher quando a mulher ama:ela nao recuará diante de nenhum sacrificio,e tudo o mais lhe parecerá sem valor. Tema o homem a mulher,quando a mulher odeia:porque no fundo,o homem é maldoso;mas a mulher é preversa. Qual é o homem que a mulher odeia acima de todos os demais?O ferro disse um dia ao Íman:"é a ti que odeio mais do que tudo;atrais-me,mas nao tendes força bastante para me sujeitar". A felicidade do homem está em poder dizer:"Eu quero".A felicidade da mulher está em dizer:"Ele quer". "Até que enfim o mundo acaba por atingir a perfeiçao",tal é o pensamento de todas as mulheres no instante em que se submetem por amor. E a mulher tem necessidade de obedecer e de dar uma profundidade á sua superficie.A alma da mulher é superficial,é uma superficie movediça e agitada sobre uma grande profundidade. Mas a alma do homem é profunda,a sua corrente brame em grutas subterraneas;a mulher presente essa força, mas nao a compreende" Entao a velhinha respondeu-lhe:"Zaratrusta,disse coisas muito agradaveis,sobretudo para as que sao bastante novas para isso. Coisa estranha Zaratustra conheçe pouco as mulheres,e contudo julga-as bem.Será porque em materia de mulheres nao ha nada impossivel? Aceita agora em troca uma pequena verdade. Sinto-me sufecientemente velha para ta dizer. Embrulha-a bem e tapa-lhe a boca com receio que ela grite demasiado alto,essa pequena verdade." "Dá-me,ó mulher essa pequena verdade!"Disse eu.E a velhinha falou assim: "Frequentas as mulheres?Nao te esqueças do chicote!"

Excerto da obra Assim Falava Zaratustra, de Nietzsche, colhido no Blogue Homem Lobo

Outro excerto da mesma obra:
“És um escravo? Então, não podes ser amigo. És um tirano? Então, não podes ter amigos.
Durante demasiado tempo, houve na mulher um escravo e um tirano ocultos. Por isso, a mulher ainda não é capaz da amizade: só conhece o amor.
No amor da mulher há injustiça e cegueira contra tudo o que ela não ama. E mesmo no amor consciente da mulher sempre há investida, relâmpagos e noite, a par da luz. A mulher ainda não é capaz de amizade: as mulheres continuam a ser gatas e aves. Ou, no melhor dos casos, vacas.”

quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

Que Justiça é esta?!

Mata com ácido e fica livre

Em Leiria, a criminosa que assassinou o ex-namorado com ácido sulfúrico foi dada como inimputável. Não há sequer palavras para expressar a indignação que corre no coração daqueles que são confrontados com esta notícia vergonhosa. Assassina-se uma pessoa com ácido provocando uma agonia incalculável à vítima, e ainda os seus familiares passam pela vergonha de ver a criminosa sair em liberdade. Provavelmente foi uma decisão tomada em nome dos direitos humanos, do progresso, da liberdade, da igualdade e de outras tretas. Há coisas difíceis de suportar e já passámos há muito dos limites. Vergonha!!!

terça-feira, 3 de Novembro de 2009

O Défice da Democracia de Abril


Porque será que este tipo de notícias já não nos surpreende? Qualquer pessoa com a quarta classe pode conjecturar um futuro negro, no entanto todos os dias somos bombardeados com promessas de vária ordem que nos transmitem um país cor-de-rosa. Quando comparamos os défices do regime conservador e tradicional do Estado Novo com o regime demoliberal e revolucionário as diferenças são abismais.
Fazer as comparações aqui.

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

Mundo Louco do Guiness e a Neo-escravatura

A felicidade dos exploradores está na excelência do mercado escravo disponível. Do Brasil, essa grande potência de mão-de-obra barata, chega-nos um exemplo típico do disparatado mundo socialista. A brasileira Rosilda Ferreira, de 22 anos, foi apresentada ao mundo com orgulho, é a operadora de caixa de supermercado mais rápida do mundo. Conseguiu registar 50 artigos em apenas um minuto e 53 segundos. Sendo interrogada sobre a proeza, disse a vaidosa contemplada: "já me tinham elogiado pela capacidade de registrar e empacotar em pouco tempo". Não, não estamos a bater recordes dos jogos olímpicos, estamos a bater recordes de servilismo, de escravidão, não se procura encontrar o melhor dos melhores, mas sim o mais escravo dos mais escravos. È a rota da inversão, é o resultado da desconstrução e das promessas das falsas igualdades e liberdades. Este tipo de trabalho, na caixa de um qualquer supermercado pertencente ao capitalismo internacional, é o exemplo perfeito do homem novo marxista, não pensa, não emite opinião, nem imagina o que é a contemplação nem qual o propósito da sua vida. Corresponde esta personagem robotizada ao ideal capitalista. E, ainda dizem que a lavagem cerebral operada pelos marxistas é invenção dos “retrógrados”?! O futuro tenebroso para os europeus começa aqui.

quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

Casamentos multiculturais vistos em Israel como traição

Casamentos mistos são vistos em Israel como traição
Uma autoridade local em Israel anunciou estar a criar uma equipa especial de conselheiros de juventude e psicólogos, cuja tarefa será identificar raparigas judias que se relacionem com homens árabes e «resgatá-las».

In Israel, Intermarriage Viewed As Treason
Jonathan Cook
29 September 2009
A local authority in Israel has announced that it is establishing a special team of youth counsellors and psychologists whose job it will be to identify young Jewish women who are dating Arab men and "rescue" them.

quinta-feira, 22 de Outubro de 2009

Petição dirigida aos deputados para 'repor' Ponte Salazar

Texto 'online' defende retorno ao "nome original" da obra pública que passou a chamar-se Ponte 25 de Abril depois de 1974. Mais de meio milhar de cidadãos tinham subscrito, até ao fim da tarde de ontem, uma nova petição na Net a defender a "reposição do nome original da Ponte Salazar". Segundo esta petição dirigida à Assembleia da República, pretende-se repor "o nome original à ponte sobre o Tejo, hoje designada por Ponte 25 de Abril" e que, "ao ser inaugurada em 6 de Agosto de 1966, havia recebido o nome de 'Ponte Salazar'". A par de uma outra petição com o mesmo objectivo, intitulada "Vamos repor o nome à Ponte Salazar, neste momento como Ponte 25 de Abril" (com apenas dez assinaturas), a anterior foi recebendo assinaturas durante a tarde - 549, cerca das 18.00. "A omissão de factos, incoerências, desvios à verdade, esquecimentos a prazo, receios ou vergonha da sua História, no caso concreto, do nosso povo, que somos nós e os que antes de nós fizeram história, torna-nos superficiais, descaracteriza-nos como entidade cultural e acima de tudo faz-nos cúmplices da mentira", lê-se também no texto.

Entre os subscritores, muitos com apelidos de família conhecidos (Mendia, D'Orey, Mello, Roquette, Mantero, Van Zeller), a primeira assinatura é a de Maria Isabel Galveias, que acrescentou ao seu nome um comentá-rio: "A ponte deve ser sempre Ponte Salazar por imperativo histórico. "Paulo Pessoa de Carvalho adiantou outra observação: "O passado nunca se renega, foi ele que nos fez chegar onde estamos hoje. Se há caminhos que poderíamos fazer de forma diferente, até concordo, até talvez os fizesse, agora renegar o passado, nunca!"

Fonte do Diário de Notícias

«Reposição do Nome Original da Ponte SALAZAR»
Subscreve a petição aqui http://www.peticaopublica.com/?pi=P2009N505 e divulga-a pelos teus contactos.

terça-feira, 20 de Outubro de 2009

Portugal afunda-se a 20 Milhões por dia

Grandes conquistas de Abril:

Défice do Estado sobe 20 milhões por dia

O défice do Estado entre Janeiro e Setembro deste ano ultrapassa aos 9 mil milhões de euros. É um buraco que cresce ao ritmo de 20 milhões por dia e que quase triplicou face ao mesmo período de 2008, quando o valor se fixava nos 3,5 mil milhões de euros.

segunda-feira, 19 de Outubro de 2009

Novo Livro do Ten/Coronel Brandão Ferreira


http://www.youtube.com/watch?v=irfX_8BRVNc

O Sr. Ten/Coronel Brandão Ferreira, após defender corajosamente na TV socialista que Angola é nossa, irá apresentar brevemente o seu último livro, que também se adivinha polémico. A sessão realizar-se-á dia 28 de Outubro, Quarta-Feira, pelas 18h, na Academia Militar - entrada pela Rua Gomes Freire. E o respectivo convite está aqui.

"Por aquilo que é secundário, negoceia-se; pelo que é importante, combate-se; pelo que é fundamental, morre-se" Brandão Ferreira

quarta-feira, 14 de Outubro de 2009

Sociedade Socialista? Não, Obrigado!

“Viver é ter a possibilidade de realizar com risco um projecto pessoal, é ter a faculdade de criar. Hoje é corrente ouvir os jovens manifestarem a pretensão de “realizar-se”: uma sociedade socialista só permite que se “realizem” aqueles que consigam postos de chefia dentro do sistema. E mesmo assim, é preciso que se subordinem aos planos e escapem às purgas resultantes da fiscalização vertical ou horizontal, geralmente muito inspirada em preconceitos ideológicos e em ódios pessoais ou de classe, do que no interesse geral.” (Marcello Caetano em Depoimento, Ed. Record, pág. 113.)

segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

Holocaustos Esquecidos

"Foi Sir Winston Churchill quem pessoalmente fez questão, a poucos meses do fim da Guerra e num momento em que esta já estava ganha pelos Aliados, de que a RAF bombardeasse com bombas de fósforo as cidades alemãs de Dresden e Hamburgo, onde se produziram as maiores carnificinas da História entre populações civis – depois é certo, de Hiroshima e Nagasaqui, também realizadas para mais rápida vitória e glória da «Cruzada» das democracias." (Jaime Nogueira Pinto em O Fim do Estado Novo e as Origens do 25 de Abril, Ed. Difel, pág. 391.)

quinta-feira, 8 de Outubro de 2009

Salazar e o Estado Novo Por António José de Brito

A notícia do falecimento de Oliveira Salazar era por nós aguardada a todo o instante, nestes últimos dias. Mas nem por isso nos deixou de produzir melancólica emoção e de nos despertar um fundo sentimento de tristeza e saudade. Um turbilhão de imagens acorreu à nossa mente. Lembramos os desfiles gloriosos dos anos 30, as camisas verdes da Mocidade Portuguesa e da Legião Portuguesa, as florestas de braços estendidos em todas as manifestações, e aos nossos ouvidos ecoaram, de novo, os brados: «Quem vive? Portugal, Portugal, Portugal», «Quem manda? Salazar, Salazar, Salazar», que tantas vezes escutáramos, com entusiasmo, tínhamos nós nove anos.

Depois veio a terrível conflagração de 1939-1945, cuja trágica importância não vislumbrámos, então, porque demasiado jovens, e cujo profundo significado só bem mais tarde compreendemos integralmente. Graças a Salazar — e, nessa altura, nós e a maioria dos portugueses, aplaudíamo-lo — Portugal manteve-se neutro ou quase neutro (pois suportou a invasão australiana em Timor e cedeu bases nos Açores a potências beligerantes, como a Inglaterra e os U.S.A.), tendo-se recusado, aprumadamente, nos derradeiros dias do conflito, a abandonar a sua posição e a alinhar com a matilha de rafeiros que, nos instantes finais, arremetia contra os que já se encontravam prostrados por terra e vencidos.

A seguir à vitória das democracias, em 1945, surgiu o assalto das oposições. Campanhas eleitorais, conspirações, apelos ao estrangeiro, foi o que presenciámos, já universitários, senhores de convicções próprias, adeptos e servidores conscientes de uma doutrina. Por entre as tempestades, Salazar conservava o sangue frio e uma lúcida intransigência. Conseguia ir vencendo os ventos da história e graças a uma ou outra concessão, fazer sobreviver o regime que criara.

De certo, o Estado Novo subsistia, agora cercado por uma atmosfera internacional que nos era «ideologicamente adversa», conforme não hesitou em confessar um jornal da União Nacional, começando-se a notar os primeiros sintomas de desgaste. O ataque de Humberto Delgado teve já incidências alarmantes. E numa hora de crise premente, que não tardou, após escasso tempo, a aparecer, viu-se, com clareza, que o inimigo estava dentro das muralhas. A onda de loucura abdicatória atingira o seu auge, no Ocidente, quando Angola foi vítima de brutal surto terrorista. Não faltaram, nessa altura, vozes aconselhando a seguir os exemplos alheios, a usarem-se os chamados meios políticos, a utilizar o caminho das negociações, vozes que estavam bem próximas de Salazar e não eram de adversários declarados. Este, porém, não se deixou intimidar. Idoso, fatigado embora por uma vida de labor e sacrifício, não hesitou em assumir a pasta da Defesa Nacional e «rapidamente e em força» seguiram, logo, para o Ultramar, reforços militares que, até ao momento, inexplicavelmente se quedavam imóveis na metrópole.

Os soldados portugueses empunharam as armas para combater a agressão da barbárie que campeava triunfante pela terra desde Maio de 45, e Salazar tornou-se o símbolo da resistência da nação, penhor da honra, de brio, da vontade de todo um povo.

Nunca nos sentimos tão solidários com ele como em tal época, em que um velho de setenta anos dava aos novos lições de tenacidade, fé, persistência, confiança, coragem moral.

Acontecera-nos, por vezes, protestar contra o que considerávamos nonchalance do Poder, e contra certas tácticas, que nos pareciam equívocas, utilizadas por Salazar. A partir de 1961, porém, o seu vulto agigantou-se perante nós, tremendamente, mais ainda do que no período áureo em que o aclamávamos, por entre multidões de rapazes em uniforme.

O Salazar dos primórdios da Revolução e o Salazar dos tempos derradeiros — no ocaso da própria existência, estóico, inabalável, corporizando, «orgulhosamente só», a dignidade de uma raça — eis as duas imagens do grande Chefe que mais comoveram o nosso coração e mais funda adesão despertaram ao nosso intelecto. Não se esqueça, contudo, que só a habilidade de manobra do estadista, na época subsequente ao dia V, permitiu que se tornasse possível a afirmação inquebrantável de defesa da integridade da Pátria pelo Salazar da senectude, em que ressurgiu, intensamente, o espírito denodado que não hesitou um segundo em pôr-se ao lado da Causa nacionalista, durante o Alzamiento espanhol de 36.

Hoje, repetimos para nós mesmos, por momentos custando-nos a acreditá-lo, que morreu o homem. A sua obra ficou, no entanto, inscrita, em letras indeléveis, no imorredoiro livro da História, donde nada ou ninguém a conseguirá arrancar.

Obra imensa, de vastíssimas proporções, abrangendo os mais amplos domínios — financeiro, diplomático, económico, administrativo, etc., etc.

Cremos, todavia, que no plano mais importante em que se desenvolveu e que condicionou os êxitos noutros campos foi o plano político. E, no plano político, a obra de Salazar chama-se o Estado Novo, é a criação de um novo regime.

O Estado Novo, substancialmente, pode ser encarado sob três perspectivas: a doutrinária, a jurídico-constitucional e a político-constitucional, isto é, relativo à maneira como, na realidade concreta, estava constituída.

No primeiro aspecto, o Estado Novo situa-se no âmbito das doutrinas contra-revolucionárias que, desde início do século vinte, começaram a tomar incremento em vários países, inclusive o nosso. Saliente-se que Salazar não foi um mero executor de teorias alheias, antes diga-se, para a sua honra, que alinhou, igualmente, entre os teorizadores de concepções anti-demoliberais. Ele foi um pensador de destaque, dotado de um estilo de recorte clássico e uma alta elevação de conceitos, o que, de resto, não merecia estranheza, tratando-se de alguém com formação universitária, que por direito próprio se alcandorara à cátedra.

Permita-se que digamos, no entanto, com todo o respeito, que a noção de totalitarismo exposta por Salazar nos parece errónea, que discordamos, amplamente, de certas facetas personalistas dos seus ensinamentos e que a tese de uma limitação, de princípio, à acção do Estado, mesmo entendido este como mero sinónimo de Poder central, não se nos assemelha de aceitar. Conforme escrevia Alfredo Pimenta, se o Estado realizar o bem para que vai limitá-lo a gente?

Em todo o caso, Salazar formulou magníficos reparos críticos acerca da Liberdade e defendeu sempre a subordinação ao interesse comum dos chamados direitos fundamentais da pessoa — direito de livre expressão de opiniões, direito de livre associação, etc. —, devendo-se-lhe, até, uma inteligentíssima apologia da Censura, nas célebres entrevistas com António Ferro, reunidas em volume.

Quanto ao texto escrito da Constituição, confessamos o nosso pouco entusiasmo. Além da referência a leis especiais que regulem as liberdades, nela enunciadas ainda à maneira clássica, e da atribuição ao governo de capacidades legislativas, não vemos aí nada de notável. Tomada ao pé da letra poderia ser o código regulador de uma democracia.

Todavia, para além da Constituição escrita, a realidade político-constitucional era outra radicalmente diversa. As disposições legais permitindo a redução sensível das liberdades de associação e de expressão, tornou-se possível banir a existência de partidos e fazer com que um único agrupamento, a União Nacional — de que Salazar era indiscutível líder e orientador, e que, aliás, não constituía um partido, mas sim um organismo aberto a todos os portugueses que desejassem cooperar na tarefa do ressurgimento pátrio — passasse a exercer, politicamente, um controle decisivo sobre o país. A UN propunha os candidatos à Assembleia Nacional e à Presidência da República e, mesmo quando nos actos eleitorais, depois da funesta data de 1945, se admitiu a participação de adversários, encontrava-se numa posição de inteira ou quase inteira superioridade (pois que os oponentes desapareciam, enquanto presença activa, terminado o período de disputa perante o sufrágio), jamais tendo sido, consoante se compreende, batida ou posta a valer em apuros. Deste modo, em Salazar, que desempenhava também o cargo de Presidente do Conselho, concentrou-se, efectivamente, a autoridade máxima, a mais elevada magistratura pedagógico-governativa do Estado Novo.
Surgiu, assim, um sistema autoritário, de poder pessoal, com todas as imensas vantagens que lhe são inerentes. Foi glória de Salazar tê-lo edificado e posto em funcionamento durante quarenta anos.

Exige-nos, porém, a consciência — e bem assim o espírito crítico — que observemos que o regime evidenciava fortes desvantagens estruturais, que só foram supridas pelo prestígio, a popularidade, a invulgar personalidade do Chefe.

Que uma Assembleia Nacional, mal escolhida, entrasse em rebelião (ou idêntico caso se verificasse com o Presidente) e, consequentemente, fossem abrogadas as restrições legislativas que marcavam com o selo da ilicitude uma orgânica de partidos, e eis que a UN perderia a sua situação de supremacia e o Estado Novo entraria em declínio, minado por contradições internas. Dir-nos-ão que era pouco provável que tais entidades, dadas as suas origens e filiação, seguissem semelhante rumo! Responderemos que «pouco provável» nem equivale a inconcebível, nem sequer a inconstitucional ou revolucionário.

Se tem razão de ser o ponto de vista que a Constituição escrita não expressa por inteiro a constitucionalidade real do país, não deixa aquela, contudo, de fazer parte desta, como um dos seus elementos componentes. E se entre os componentes de uma constitucionalidade real houver possibilidade de conflito, é porque ela não se encontra perfeitamente ordenada.

Num Estado autoritário bem estruturado, devem coincidir o facto e o direito no tocante ao poder vitalício do Chefe, cuja autoridade não pode depender de ninguém (isto sem falarmos na transmissão da soberania que, também, tem de processar-se sem criar quaisquer dependências pessoais ao novo governante e simultaneamente, tem de o manter integrado no Ordenamento vigente — o melhor processo para se atingirem esses desiderata sendo a sucessão hereditária). A verdade é que, abstraindo deste derradeiro problema-requisito, a Situação não chegava mesmo a satisfazer o condicionalismo a que aludimos de começo. Daí a sua imperfeição. Salazar deixou por herança uma construção institucional cujas linhas de força estão essencialmente certas, conquanto realizadas de deficiente forma. Cumpre aceitar o património que nos legou, não por certo para o malbaratar através de suspeitas liberalizações, mas para o prolongar, enriquecer, aperfeiçoar nas suas directrizes básicas. É dessa maneira que se prestará a melhor das homenagens à memória de um vulto grande e ímpar que, apesar de tudo, foi o de um insigne servidor da ideia de Estado.

Salazar e o Estado Novo Por António José de Brito (in «Política», n.º 14/15, de 15/30 de Julho de 1970)

terça-feira, 6 de Outubro de 2009

Xiitas Banem Sambistas

"Clérigos consideram samba obsceno.
Um grupo de sambistas convidado a dançar num palco ao ar livre na praça dos Mártires da cidade libanesa de Tiro viu o seu show cancelado depois de um protesto veemente feito por clérigos. “Apoiamos o turismo mas somos contra a obscenidade”, afirmou o xeque Ali Yassin, líder dos clérigos daquela cidade, predominantemente xiita."

Fonte.

Claro que os clérigos católicos, bons tolerantes e amigos das liberdades e igualdades, jamais se atreveriam a levantar a voz contra os promotores do multiculturalimo globalizante. A luta no mundo assume cada vez mais a dictomia Bem/Mal. O Mundo Ocidental só nos deixa envergonhados a todos, a podridão agonizante acumula-se até ao sufoco.

segunda-feira, 5 de Outubro de 2009

Nacionalistas Conquistam 15 Deputados na Grécia

Eleições na Grécia: subida do LAOS
Nas eleições legislativas de ontem na Grécia, o LAOS, partido com linhas programáticas muito próximas do português PNR, conseguiu 5,6 % dos votos, alcançando 15 deputados, e melhorando assim o seu resultado de 3,8 % em 2007, ano em que tinha entrado para o Parlamento.Consolidou-se assim como o quarto partido nacional, atrás dos socialistas do PASOK, dos conservadores da Nova Democracia e do Partido Comunista.
Fonte.

Partidos & Deputados

PASOK - 160 - (Socialistas)
ND - 93 - (Direita Liberal Moderada)
KKE - 20 - (Comunistas)
LAOS - 15 - (Nacionalistas)
SYRIZA - 12 - (Bloco de Esquerda)
Verdes - 0

segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

Fim dos Tempos: Legislativas 2009


sexta-feira, 25 de Setembro de 2009

Europa Afunda-se: PIB cai 4 por cento

D.R. 25 Setembro 2009 - 09h32
Estimativas
Zona Euro: Pib cai 4 por cento

Um estudo da European Forecasting Network estima que o produto interno bruto (PIB) da zona euro recue cerca de quatro por cento em 2009 mas que em 2010 atinga um crescimento de 0,8 por cento.

Fonte

quarta-feira, 23 de Setembro de 2009

Obama Acelera Nova Ordem Mundial

Reuters 23 Setembro 2009 - 16h38
Assembleia Geral da Nações Unidas
Obama: "É tempo de começar uma nova era"

Barack Obama, presidente dos EUA, fez esta quarta-feira a sua estreia na Assembleia Geral da Nações Unidas com um discurso marcado por apelos de início de uma nova era de cooperação mundial. Obama falou de alguns dos principais problemas globais, tais como a luta contra as alterações climáticas e a preservação da paz, assegurando que os EUA não podem resolvê-los sozinhos. A sua intervenção, com 45 minutos de duração, foi recebida com uma larga ovação por parte dos cerca de 120 chefes de Estado e de governo presentes no plenário. O presidente norte-americano declarou ainda que é altura de relançar o processo de negociações de paz no Médio Oriente.

Fonte

segunda-feira, 21 de Setembro de 2009

O Marxismo de Gramsci e a Cultura de Massas

GRAMSCI E A EDUCAÇÃO POPULAR NA AMÉRICA LATINA
Descarregar em pdf.
http://www.curriculosemfronteiras.org/vol4iss2articles/morrow.pdf


Aqui um blogue completamente dedicado ao comunista italiano Antonio Gramsci: http://antigramsci.blogspot.com/

domingo, 20 de Setembro de 2009

Fartos

O País não está em condições de aguentar esta paródia. Precisa de trabalho para os portugueses, mais de 500 mil portugueses alimentam-se de subsídios e não sabem o que fazer das suas vidas. Curiosamente os imigrantes ilegais, os legais e outros tais, têm sempre trabalho. A mão-de-obra barata está na moda e, em prol da competição, do progresso e do desenvolvimento, o caminho para a escravatura do género comunista empregue com sucesso na China não está longe. Costuma-se dizer que para baixo todos os santos ajudam. Se falharem os santos, os novos sacerdotes socialistas, ou seja, os jornalistas, os psicólogos e os professores, dão uma ajuda.

A criminalidade atingiu níveis desastrosos, o cidadão que já tem medo de sair à rua, seja de dia ou à noite, e caso seja sensível, nem é recomendável que leia os jornais pois o ambiente de terror neles contido é enorme. A impunidade é constante, a sensação de impotência que se vive na justiça não permite confiança em nenhuma acção ditada pelos tribunais. O cidadão honesto sofre ainda de um grave problema, não tem a mínima ideia de a quem possa apresentar as suas queixas. A bandidagem, os vândalos do século XXI, ostentam fortunas que não foram ganhas à custa do seu suor, no entanto são inatingíveis, a lei não lhes toca, são intocáveis.

O sistema de ensino, então, só produz imbecis, mediocridades, seres aptos, senão para a toxicodependência, seguramente para a subsídiodependência. Não há a preocupação em atribuir competências mas sim em realizar lucro à custa dos desgraçados dos alunos e dos seus infelizes pais que os sustentarão até avançada idade. Parece um filme de terror que os portugueses estão a viver, mas a realidade não engana, ou despertam de vez do pesado sono socialista, que é um tormentoso pesadelo, ou seguramente, daqui por mais umas poucas gerações, os portugueses só existiram no céu, porque a terra será habitada por selvagens de todo o género. A substituição da população portuguesa por excluídos do mundo inteiro não pode continuar. Basta!!!

sábado, 29 de Agosto de 2009

Bússula Política para as Eleições Legislativas de 2009


segunda-feira, 8 de Junho de 2009

Resultados sobre as Eleições Europeias de 2009

Resultados das eleições para a UE em Portugal, por Distrito e Freguesia:
http://sic.aeiou.pt/online/noticias/portugal2009/resultados

Resultados das eleições na UE, por País e grupo no Parlamento Europeu:
http://www.elections2009-results.eu/pt/index_pt.html

sábado, 6 de Junho de 2009

O meu posicionamento no panorama político das Eleições Europeias de 2009‏


Este gráfico é o resultado das minhas respostas ao questionário, como se pode ver a minha posição é marcada pela cruz e satisfaz-me completamente. Um teste utilíssimo, todos os portugueses o deveriam fazer a fim de saberem com precisão qual a sua verdadeira tendência de voto. Fazer o teste aqui.

quarta-feira, 3 de Junho de 2009

Objectivos Illuminati para a Nova Ordem Mundial

Estes são os objectivos conhecidos da sociedade secreta Illuminati fundada por Adam Weishaupt (Spartacus) em 1776. Em 1782 já teria conexões com a Maçonaria e outras sociedades secretas. A sociedade Illuminati foi criada para acelerar a instauração da chamada Nova Ordem Mundial. Estes objectivos não foram criados pelos Illuminati, os Illuminati foram criados para atingir estes objectivos que são bem mais antigos.

1- Abolição de todos Governos

2- Abolição da Propriedade Privada

3- Abolição do Hereditarismo

4- Abolição do Patriotismo

5- Abolição da Família

6- Abolição da Religião e da Moral

7- Criação de um Governo Mundial

É evidente que esses objectivos já estão a ser trabalhados aqui em Portugal desde muito tempo mas agora estamos em um período onde vemos uma certa aceleração. É necessário analisar cada um dos pontos e ver onde se aplicam na realidade portuguesa e ver para quem realmente estão nossos políticos a trabalhar, se para nós ou se para o -olho que tudo vê-.

Fonte: www.demo-de-democracia.blogspot.com

domingo, 31 de Maio de 2009

A Grande Delapidação do Socialismo


O ouro do Salazar…

por Henrique Neto


Em 1974, os cofres do Banco de Portugal (BdP) estavam a “abarrotar” de reservas de ouro, mais concretamente 865.936 toneladas que o Estado Novo “amealhou” a partir da 2.º Grande Guerra. A partir dessa altura, assistiu-se a uma verdadeira sangria…De facto, desde 1974 que as reservas de ouro têm vindo a diminuir…Só entre 2002 e 2006, a instituição liderada por Vítor Constâncio vendeu 224,1 toneladas deste metal, reduzindo significativamente o volume de ouro detido. Tal situação deveu-se à adesão em 1999, por parte do BdP, ao acordo («Acordo dos Bancos Centrais sobre o ouro»), em que participavam outros bancos centrais europeus, para a adopção de uma política de diversificação das reservas externas. Os “ganhos” realizados com essas vendas são transferidos para uma reserva especial do BdP que faz parte integrante dos capitais próprios do banco. Este acordo foi revisto em 2005 e estipulava que nesse período as vendas anuais nunca poderiam exceder as 400 toneladas e as vendas totais nunca deviam exceder as duas mil toneladas. Em 2006, Portugal já tinha “cerca” de 382.540 toneladas deste metal precioso, conforme comunicado emitido pelo BdP em 2007. Actualmente “restam” pouco mais de 300 toneladas…do chamado "ouro de Salazar"! E as perspectivas não são animadoras, nos tempos mais próximos, pois a “tentação” de venda, sob a capa de diversificação das reservas externas, é enorme… Entretanto, na semana passada, tivemos “conhecimento” que a China tem estado a comprar ouro nos últimos 10 anos…possuindo actualmente a maior reserva de ouro do Mundo!


quarta-feira, 18 de Março de 2009

A Ordenha dos Cravos

quinta-feira, 5 de Fevereiro de 2009

Livro recomendado: Julius Évola - Revolta Contra o Mundo Moderno

No meio do lixo que abunda nas prateleiras das livrarias da moda se tivermos alguma sorte poderemos encontrar a magnífica obra de Julius Évola, Revolta Contra o Mundo Moderno. O pensamento tradicional exposto nesta obra genial foi completamente trucidado pelo pensamento liberal, não pelo valor dos argumentos usados pelos revolucionários mas sim através da pesada censura que impede a busca da verdade. A liberdade de expressão é válida caso seja para defender as pretensões revolucionárias, quando se trata de explicar a essência do pensamento tradicionalista isso não pode ser permitido. Julius Évola é um expoente da cultura ostracizado pelos "amantes das liberdades" mas quem ler as suas obras só pode admirar a sua grandeza de pensamento, a sua genialidade e contemplar a podridão actual com enorme desprezo por tudo o que é fruto do fundamentalismo liberal. Melhor do que ninguém para nos falar deste grande pensador italiano do que outro pilar do pensamento contemporâneo, também marginalizado pelas amplas liberdades, António José de Brito, escutemos:

Apontamentos sobre Julius Evola, de António José de Brito (1)
Se há hoje, no ambiente intelectual da direita italiana, um pensador quase unanimemente respeitado e conhecido (embora nem sempre seguido) esse pensador é Julius Evola. O jovem escritor Giano Accame, num interessante estudo acerca do livro de Paul Sérant intitulado Romantisme Fasciste, observava que o pensamento de Evola não foi tomado muito a sério durante o vinténio mussoliniano [1]. E compreende-se! Evola, dadas as suas afinidades com o esoterismo, na sua invocação duma tradição milenária vinda do alto, os seus estudo sobre a magia, não devia ser grandemente compreendido numa época dominada, essencialmente, pela controvérsia em torno do idealismo, e onde as atenções se centravam à volta de um filósofo de primeiro plano — Giovanni Gentile — que um sem número de intelectuais, dentro e fora do regime, atacava com fúria, enquanto outros o defendiam com entusiasmo.De resto, não faltavam teóricos ortodoxos e fervorosos, incapazes na altura de se desviarem um milímetro dos princípios doutrinários formulados pelo Duce (aliás coadjuvado pelo autor da Teoria generale dello spirito come atto puro), no célebre artigo da Enciclopédia Italiana (Fascismo) e, ao pé deles, Evola, que não deixava de se mostrar reticente num ou noutro ponto, fazia figura de heterodoxo, ou pelo menos de moderado, assim se explicando que a sua figura se mantivesse numa discreta penumbra.Após 1945, porém, os teóricos ortodoxos e fervorosos sumiram-se pela caixa do ponto para reaparecerem, bastantes deles, pintalgados com as cores demo-cristãs ou comunistas, ao passos que outros, desanimados e amargurados, cultivavam tão só o próprio desânimo e amargura. Sucedeu o contrário com Julius Evola, a quem os acontecimentos, em vez de o perturbarem e abalarem, como que firmaram a sua fé. E, acalmadas as querelas entre idealistas e anti-idealistas na atmosfera de problematicismo especulativo [2] que sucedeu ao fim da conflagração, fixaram-se, então, bastantes olhares naquele pensador isolado que, contra ventos e marés, continuava, inflexivelmente, fiel às suas teorias e com rude intransigência persistia na sua firme posição de «revolta contra o mundo moderno». Pouco a pouco o prestígio de Evola foi-se firmando e crescendo, entre quantos se recusavam a prestar reverência aos ídolos do momento e nele encontravam um duro e exigente mestre.A explicar também o actual aumento da fama e influência de Julius Evola está o facto de, em nossa opinião, as suas obras mais notáveis serem do período posterior à derrocada da Itália e da Europa. Não conhecemos, exaustivamente, o conjunto dos seus trabalhos anteriores ou subsequentes à queda do Estado Fascista. Em todo o caso, dentre livros que lemos, aqueles que foram escritos antes da guerra, v.g. Maschera e volto delle spiritualismo contemporaneo, Il mito del sangue, Rivolta contra il mondo moderno, revelam-se de muito menor interesse e, até de tonus intelectual inferior, ao dos publicados depois como Gli uomini e le rovine, Metafisica del sesso, Calvacare la tigre. Cremos que o melhor de Evola é o dos últimos vinte anos, sem que isto signifique, no entanto, que haja qualquer solução de continuidade no evoluir do seu pensamento.Engana-se quem imaginar que o autor de Il mistere del Graal não passa de um saudosista impenitente da época de Benito Mussolini e que os seus derradeiros ensaios constituem, pura e simplesmente, «apologia do Fascismo» (delito perigosíssimo, punido por uma lei sábia e justa). Começamos por afirmar, talvez causando surpresa, que Evola, em certa ocasião, chegou a reconhecer que foi Gentile (ao qual vota um injusto desprezo) o filósofo «especificadamente fascista» [3]. Ele situa-se noutro plano de que chama tradicionalismo, um tradicionalismo assaz diferente do que em Portugal ou na França se designa com esse nome e que pouco tem a ver com as concepções de um Bourget, de um Maurras, do integralismo, etc.A tradição, para Evola, não consiste no conceito meramente formal (não se veja nisto uma crítica) de continuidade ou permanência no movimento, sendo, antes, um conjunto material de princípios eternos e supra-humanos imanentes no fluir dos tempos [4] e que é a manifestação de uma transcendência espiritual de valor incondicionado, situada acima até, da distinção entre ser e não ser [5]. É a tradição esotérica, que se perde no mistério das origens. Tomada no seu aspecto ético-político concreto, a tradição postula, primordialmente, o movimento para o alto, para o Transcendente.Esse movimento começa por exigir o desenvolvimento do ser de todas as pessoas na sua especificidade própria, visto que na singularidade de cada um se projectar, sempre, algo da infinita riqueza do Princípio Supremo. A seguir, impõe-se que cada um se insira voluntariamente numa hierarquia de subordinação face àquelas outras pessoas cujo ser seja mais pleno e mais perfeito, hierarquia que culmina na «personalidade absoluta» ou supra-individualidade, máxima universalização, em que se encarna o Império, a soberania, e que é elemento de unidade, enquanto fim derradeiro dos diversos tipos de personalidade inferior, a que estes se devem ordenar com obediência a acatamento. A personalidade absoluta liga já a esfera do mundo com o puro domínio da transcendência [6].

Notas:
1 — Gustavo Bentadini, Dal`attualismo al problemtticismo, La Scuola ed., Brescia, 1960, págs. 6, 155 e segs.
2 — Cfr. o volume Giovanni Gentile a cura de Vittorio Vettori, La Fenice ed., Florença, 1954, pág. 6.
3 — Julius Evola, Gli uomini e le rovine, Edizioni del`Ascia, Roma, 1953, pág. 21.
4 — Julius Evola, A doutrina do Despertar, trad. francesa de Pierre Pascal, Edit. Adyar, Paris, 1956, pág. 164; Julius Evola, Gli uomini e le rovine, cit., pág. 28/29, 50/51; Rivolta contra il mondo moderno, Fratelli Bocca ed., Milão, 1951, págs. 29-30.
5 — Julius Evola, Gli uomini e le rovine cit., pág. 46.6 — Julius Evola, Gli uomini e le rovine cit., pág. 45.

segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009

Livro: Diálogos de Doutrina Anti-Democrática do Prof. Dr. António José de Brito

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NOTA À SEGUNDA EDIÇÃO
Os Diálogos de Doutrina Anti-democrática foram publicados, a minhas expensas, durante o animado período do PREC em que se procedeu, alegremente, à destruição de Portugal.Era um livro de ideias e, por isso, não encontrou repercussão nenhuma no chamado público, muito preocupado com a oratória do incendiário mental Sr. Vasco Gonçalves, as ameaças do grande Sr. Otelo Saraiva de Carvalho, ou as inteligentes congeminações do resplandecente Sr. Melo Antunes, inspirador, ao que parece do Documento dos Nove, uma salada, altamente pitoresca, em cuja redacção, se disse, colaborou, também, a Ex.ª Sr.ª Dr.ª Maria de Lurdes Pintassilga.Em plena manifestocracia, onde a preocupação era arrebanhar multidões para um lado ou para o outro a ver quem fazia barulho mais estrondoso e arrebanhava massas mais volumosas, as controvérsias de princípios não empolgavam ninguém. Assente, dogmaticamente, a intangibilidade de Abril e benemerência extraordinária do Movimento das Forças Armadas, composto por profissionais da guerra que acima de tudo não desejavam combater, as celebrações, as comemorações ocupavam o tempo todo. Quem queria dedicar alguns minutos, poucos que fossem, a pensar? Vivia-se numa agitação frenética que seria inteiramente cómica se não fosse interrompida por alguns episódios trágicos e o sangue não começasse a correr, com abundância nas províncias portuguesas de além-mar.Tudo foi sossegando, os comunistas, satisfeitos, acomodaram-se, após terem conseguido desmembrar a nossa pátria, conforme era do interesse da pátria deles – a U.R.S.S.Cunhal achou que gramara, na vida, maçadas suficientes (já no 28 de Setembro, prudentemente, recolhera à embaixada de Cuba, não fosse o diabo tecê-las) e os soviéticos não estiveram para arriscar uma guerra só para possuírem, num cantinho da Península Ibérica, um satelitezinho abjecto.Assim, o Evangelho de S. Marx, ao invés do que eu temia, não passou a ser lei divina no ex-Portugal.Nos meus Diálogos de Doutrina Anti-democrática dediquei um Prólogo, aos eventos pós abrilinos, até ao Verão quente de 1975 (data da sua aparição). Esse Prólogo perdeu, evidentemente, bastante da sua actualidade. Conservo-o, no entanto, porque mantém um valor histórico e nele se transcrevem alguns textos, preciosos, que testemunham a falta de vergonha e sobretudo de palavra, de alguns grands seigneurs ainda hoje celebrados, da denominada revolução dos cravos, baptizada por Bissaia Barreto (que nada tinha de fascista), com felicidade, de rebentamento de um cano de esgoto.Não sendo dominante o Evangelho de S. Marx, um outro recebe a adoração da generalidade dos habitantes do rectângulo. É o Evangelho democrático. Quem o não perfilha é excomungado e, mais ou menos, marginalizado. A democracia assumiu foros de religião. E não se pense que é uma religião que não faz uso do braço secular. Sem dúvida, proclama tal uso uma selvajaria, só própria de eras ainda não iluminadas pelo esplendor da nossa civilização – a civilização da bomba atómica. Porém o que ela diz é uma coisa, outra é o que faz. A democracia condena as fogueiras da Inquisição, mas aprova as fogueiras de Dresden, Hamburgo, Colónia, etc. Acha as cruzadas uma coisa indigna e um papa (democrata claro) pede desculpa pelas mesmas embora não tenha uma palavra de censura para o que o Sr. Eisenhower, inteiramente insuspeito na matéria, baptizou de Cruzade in Europe. E assim por diante. Escandalizam-se com a Gestapo, a Ovra, a Pide, e simultaneamente atribuem às suas polícias métodos e poderes semelhantes. Lembremos só num exemplo brevíssimo o que se passa no Iraque e em Guantánamo.Em resumo a democracia berra contra a violência na altura exacta em que a emprega.Claro que tomamos, aqui, democracia não como simples forma de governo mas como uma concepção axiológica. De resto uma e outra estão interligadas. O governo do povo pelo povo implica, obviamente, que os homens tenham liberdade de formar partidos e agrupamentos isto é, sejam dotados de liberdade de reunião. E, para formarem livremente os seus partidos ou agrupamentos, é indispensável que circulem sem obstáculos os ideais ou doutrinas, em volta dos quais aqueles se aglomerem – logo é indispensável a livre expressão do pensamento.Qual o fundamento porém de tais liberdades? Obviamente, a imensa dignidade dos seus titulares, os homens, as pessoas humanas. Cada homem, cada pessoa humana será uma espécie de deusinho intangível e autónomo (claro que com excepção dumas pessoas humanas chamadas fascistas que, nem vale a pena discuti-lo, não têm obviamente a dignidade inerente a todas as pessoas humanas).Torna-se patente que tais deusinhos não podem ser governados senão por si próprios e voltamos ao começo, à democracia enquanto regime.Quer dizer, o regime exige uma certa axiologia e, por seu turno, a axiologia postula o regime.Por outras palavras, a democracia implica a ética filosófica personalista e a ética filosófica personalista tem a concretização na soberania popular. Implicação recíproca que significa igualdade.Designaremos pois pelo termo único de democracia o que envolve, a um tempo, a fundamentação ética e a sua expressão política.Da democracia expusemos nesta obrinha as intrínsecas contradições e ilogismos. Com toda a humildade utilizamos a forma dialogal, seguida por grandes mestres, como Platão, Giordano Bruno, Schelling e outros a que estamos a anos-luz de distância.A propósito do final dos Diálogos quero traçar, agora, com muita, muita brevidade, alguns esclarecimentos.Podia objectar-se que se a democracia é absurda não existiria (tal como o círculo quadrado). E então para quê combater a democracia? Eu respondo, nos Diálogos, que há que distinguir entre o absurdo deontológico mas que envolve sempre uma certa realidade e o absurdo ontológico.A distinção não me satisfaz agora. Não irei, aqui, proceder a uma larga digressão filosófica. Direi, apenas, que a realidade intencional do absurdo, ético ou não, está sempre presente conforme ensina Husserl. Simplesmente trata-se de uma intenção que não consegue, jamais, preenchimento. Assim há quem procure efectivar o círculo quadrado ou o ferro de madeira, mas jamais o conseguirá.Análoga coisa se passa com a democracia. Só que em grau muito maior. Procurar dar ser objectivo e concreto à democracia, é impossível, mas conduz à hipocrisia manifesta ou à aberta tontice e tolice. Um exemplo: “liberdade para todos” prega-se como norma, norma que existe, existe em palavras com as seguintes consequências: ou a liberdade para todos é verdadeiramente para todos autoaniquilando-se ao considerar legítima a liberdade dos inimigos da liberdade e logo a liberdade de destruir esta última e estamos perante um grosseiro paralogismo; ou a liberdade para todos é sinónimo de liberdade apenas para os que forem partidários da liberdade e eis-nos, aos gritos de liberdade para todos, a conceder apenas a liberdade para uns tantos numa clara manifestação de tartufismo.Idêntica coisa se passa com outros lemas democráticos cujo conjunto forma a democracia que não se pode dizer que não existe. Existe enquanto intencionalidade mental que nunca pode ser preenchida por qualquer objecto. É o que mais ou menos ensina Husserl relativamente ao círculo quadrado. As tentativas de dar efectividade ao círculo quadrado (ou ferro de madeira) falham sempre, mas estão aí enquanto tentativas, fazendo desorientar as mentes ou servindo de pretexto para tirar proveitos explorando os ingénuos que lhes dão crédito.O estado de espírito democrático decerto existe mas numa existência que oscila entre a má fé e a inconsciência.Em resumo: diz-se que não é preciso combater a democracia porque a democracia não existe. Responda-se: a democracia existe com a existência sui generis do erro e da contradição que se pretendem apresentar como verdade e que nessa medida precisam de ser desmascarados.Aí fica o esclarecimento-rectificação. É óbvio que me mantenho imutavelmente fiel ao meu anti-democratismo de sempre. Não digo como alguns imbecis dizem do nacional-socialismo (perdoai-lhes senhor porque não sabem o que dizem) que é o mal absoluto, mas que a democracia é uma série de disparates e ilogismos. Lá isso é: disparates e ilogismos de que se aproveitam os grandes espertalhões da política para explorar a multidão dos tolos e ingénuos.Este livrinho é uma voz clamando no deserto. Que alguns a escutem e já morro satisfeito.

António José de Brito»

sexta-feira, 2 de Janeiro de 2009

António José de Brito sobre ANTÓNIO SARDINHA

ANTÓNIO SARDINHA

Com a morte, em 1925, do autor de "Ao Princípio era o Verbo", perdeu, sem dúvida, o nacionalismo português um dos seus mais altos representantes e um dos seus mais ardorosos doutrinadores. Educado no culto dos Direitos do Homem e na admiração entusiástica dos imortais Princípios, António Sardinha, perante o espectáculo irrisório do Constitucionalismo, foi republicano e revolucionário. A falência catastrófica e anárquica do regime implantado a 5 de Outubro veio, porém, destruir as suas ilusões e quimeras. Tinha chegado a hora angustiosa da crise interior. Diante das realidades ele, como tantos outros jovens da sua geração, fez o seu exame de consciência. Qual o valor dos ideais até então professados? Quais as causas de desordem? Como salvar Portugal? Que caminho seguir? A essas perguntas perplexas, Sardinha não tardou a dar resposta. Maurras, Barrès, Daudet, Taine, Renan, Agostinho de Macedo, Gama e Castro, o Marquês de Penalva, ensinaram-lhe a crítica à Democracia, ao Liberalismo, o apreço às elites, o amor à realidade. Gama Barros, Alberto Sampaio, os eruditos da Portugália, o estudo das crónicas, de velhas memórias, trouxeram-lhe uma nova visão da história, uma nova compreensão da origem e do destino do país. Tendo encontrado a Verdade, Sardinha não hesitou um momento. Na companhia do grupo ardente de rapazes que constituía então o Integralismo, lançou-se, através das páginas da "Nação Portuguesa", no mais aceso combate.

À oposição clássica: Liberdade ou Autoridade, respondia que a Liberdade sem a Autoridade era um absurdo pois a primeira, proclamando-se um valor, implicitamente estava atribuindo a si mesma Autoridade. E, contra o Individualismo, traçava o esboço da síntese entre estes dois falsos contrários, por meio da noção viva e criadora da Ordem que atribui a cada coisa o seu lugar; da Ordem realizada na Monarquia integral com o Rei ao alto federando e unindo energias, com os municípios, as províncias e as corporações autónomas na sua esfera, toda esta grandiosa hierarquia desenvolvendo-se, fluindo e formando, na inseparabilidade do soberano com os diversos agregados, o formidável todo que é a Pátria. Às calúnias e deturpações dos escritores liberais, discípulos dilectos da Maçonaria, respondia triunfalmente com as provas na mão lançando abaixo do pedestal o falso mártir Gomes Freire, combatendo a nefasta acção do Marquês de Pombal, reabilitando a memória dos nossos reis, de D. João IV, D. Miguel I, D. João V, D. Sebastião, D. Fernando, atacando a obra da Carta Constitucional, provando quão de falso havia na lenda de uma suposta tirania existente até ao radioso ano de 1820, demonstrando como não tinham fundamento as acusações injuriosas e difamantes que pesavam sobre a Inquisição e os Jesuítas, etc. Aos tímidos conservadores, que se insurgiam contra os extremismos, quer das esquerdas quer das direitas, aos defensores puros do existente, aos monárquicos que se limitavam a combater a República comparando o valor dos estadistas de antes de 1910 com o mérito dos de depois de 1910, aos que repeliam a doutrina como luxo ou a reduziam a palavras vagas, a esses todos fazia a apologia de Sorel e da violência, proclamava o direito do pensamento dirigir a acção, afirmava a existência de princípios objectivos a defender e a exaltar. E com a energia para repelir os apelos escandalizados da burguesia exclamava: "O nosso movimento é fundamentalmente um movimento de guerra". Aos que apelavam para as memórias gloriosas dos eminentes espíritos do século dezanove, ele, sem hesitação, repelindo preconceitos, extraía o sentido contra-revolucionário subjacente nas obras de Herculano, Garrett, Oliveira Martins, Antero, Ramalho, Eça, e, sem os erros, por vezes graves, de tão grandes vultos, enquadrava-os no momento histórico que lhes cabia, explicando o significado dos seus ataques e das suas ironias, significado bem mais alto que o atribuído pelo fácil jacobinismo da época. Aos defensores sentimentais ou interessados do Judaísmo ele mostrava, com Sorel e Sombart, a nefasta influência exercida pelo espírito talmúdico na economia europeia, a responsabilidade que lhe competia no desenvolvimento e na frutificação da Plutocracia, da agiotagem, da avidez desenfreada de lucro. E assim, de cara descoberta, ele combateu os mitos sem transigir, sem pactuar com uma glória ou um comodismo tranquilo.

Não nos deixou uma vasta obra sistemática; não nos deixou uma doutrina de cânones estabelecidos; mas, se não compôs tratados no remanso dum gabinete, legou-nos a lição incessante dum combate sem tréguas de nacionalista desinteressado. Com o auxílio dos seus companheiros do Integralismo, com Mariotte e com o inquebrantável e enérgico Alfredo Pimenta, conseguiu Sardinha levar a cabo uma das mais notáveis revoluções espirituais do nosso tempo. Por isso, enquanto houver portugueses, jamais será olvidado o seu apostolado, expressão clara, manifestação gloriosa da vitalidade perene do Génio da Raça. Por isso o invocamos hoje, nós os que lutamos pela mesma eterna verdade da Pátria e do Rei, certos de que não faltará à chamada e de que o seu espírito nos acompanhará.

António José de Brito

domingo, 28 de Dezembro de 2008

Conquistas de Abril: Descontrolo do Défice Público

Recorte do Jornal Diário de Notícias de 17 de Maio de 2005 (Clicar na imagem para ampliar)


Em 1974, o défice público rondava os 0%, como se pode verificar no gráfico, depois da gloriosa revolução de Abril é vê-lo a crescer descontroladamente. Deve ser o inevitável preço da democracia que inclui também o PIB da Democracia, diagnosticado no Reaccionário. E para animar a festa a dívida externa aumenta 2 milhões por hora ao longo dos últimos 10 anos.

domingo, 21 de Dezembro de 2008

Contra a apatia nacional marchar marchar...

video

Letra da Canção Movimento Perpétuo Associativo, do agrupamento Deolinda

Agora sim, damos a volta a isto!
Agora sim, há pernas para andar!
Agora sim, eu sinto o optimismo!
Vamos em frente, ninguém nos vai parar!

Agora não, que é hora do almoço…
Agora não, que é hora do jantar…
Agora não, que eu acho que não posso…
Amanhã vou trabalhar…

Agora sim, temos a força toda!
Agora sim, há fé neste querer!
Agora sim, só vejo gente boa!
Vamos em frente e havemos vencer!

Agora não, que me dói a barriga…
Agora não, dizem que vai chover…
Agora não, que joga o Benfica…
e eu tenho mais que fazer…

Agora sim, cantamos com vontade!
Agora sim, eu sinto a união!
Agora sim, já ouço a liberdade!
Vamos em frente, é esta a direcção!

Agora não, que falta um impresso…
Agora não, que o meu pai não quer…
Agora não, que há engarrafamentos…
Vão sem mim, que eu vou lá ter…

sábado, 20 de Dezembro de 2008

António José de Brito - LIBERDADE E IGUALDADE

Estes dois ideais, ainda que em perfeita lógica política se não possam dissociar, contradizem-se, porém, intimamente. Do ponto de vista do primeiro, considera-se o indivíduo como um ser autónomo, a cujo completo desenvolvimento nada deve entravar. Todas as limitações, todas as disciplinas têm que deixar de existir. Esta construção, como é óbvio, postula na base a existência duma igualdade de possibilidades, duma igualdade de alicerce. A liberdade sem limites, porém, conduziria à tirania dos mais fortes sobre os mais fracos. Para evitar tal perigo insere-se o Estado liberal, como garante das esferas da autonomia de cada um. O Poder existe, pois, a fim dos direitos individuais não colidirem e é justificado pela Liberdade. Se os homens, por efeitos dum aperfeiçoamento progressivo, conseguirem manter por si sós o justo equilíbrio dos seus poderes o Estado desaparecerá por inútil. De qualquer forma, a sua tarefa é restrita — um mal necessário segundo a expressão consagrada. Nesta teoria, a igualdade desempenha um papel secundário. Os indivíduos constituem compartimentos isolados, cujas relações são tuteladas pelo Estado. O Liberalismo encara-os, dum ponto de vista nitidamente associal. É uma concepção em que «os homens julgam-se iguais porque têm a noção que são livres...». (1) Há, contudo, uma forma diferente de conceber a Liberdade. Só existe esta quando nenhum homem pode ser superior a outro. Onde há um superior pode haver, em breve, um chefe, isto é, uma submissão. «A liberdade não pode subsistir sem a igualdade» (2) a qual, contrária às realidades positivas, tem que ser obtida artificialmente, por meio do Estado, convertido, assim, num instrumento de nivelação social, instituição social, instituição despótica, abrangendo todos os ramos da vida; Estado totalitário pois. Nesta teoria, só existe liberdade quando existe igualdade. Logo, o governo do povo só pode ser exercido pelo povo, por intermédio do sufrágio universal. É este que dita a lei. E como não há possibilidade de obter decisões unânimes, a vontade da maioria será a vontade do povo — isto é — todo o acto emanado da maioria será legítimo. O Estado, confundido com esta, é o agente decisivo da nivelação; da liberdade de cada um, como ser isolado, passava-se para a liberdade da colectividade; quer dizer — exige-se que ninguém se eleve dentre esta, sem o que seria ameaçada na sua independência. Concepção bem mais imbuída de sentido social que a liberal, pois que considera e com razão que os indivíduos não existem fora da mútua convivência, mas interdependentes. Partindo, porém, da ideia falsa da Liberdade chega a conclusões inaceitáveis. A verdade do seu sentido social é bem demonstrada pela experiência do Liberalismo, que degenerou sempre na Plutocracia, ou seja, no domínio dos mais ricos. Não é, na realidade, possível dar a máxima liberdade aos indivíduos, sem que em virtude da desigualdade natural, uns se não sobreponham aos outros. E, assim, a intervenção mínima do Estado liberal teria de ser enormemente ampliada, de forma que a sua missão de manter o justo equilíbrio de liberdades dentro da ordem pública se transformasse na tarefa de colocar a todos debaixo da mesma tutela omnipotente.

A Igualdade, como o notaram Le Bon (3) e Bainville (4), é sempre o ideal preferido das massas porque se dirige a um sentimento que elas possuem em alto grau — a inveja. Por isso se sujeitam ao domínio de um César que a todos nivele, diante do seu poderio ilimitado. César insuportável aos igualitários puros, mas estimado pelas turbas porque realiza, dentro do possível, o que os utopistas tentam fazer no campo especulativo teórico. O Cesarismo, porém, é efémero. Produto de paixões exacerbadas dos ideólogos da liberdade e da igualdade que, na sua luta, esqueceram os efeitos das doutrinas sobre as multidões, justifica-se, um grande número de vezes, pelas urgências da salvação pública. Vive, enquanto viver não o Ditador, como pessoa, mas como mito. Enquanto fôr encarado como um super-homem, enquanto for considerado omnisciente e omnipotente, enquanto todos dele esperarem a salvação; no momento em que, através do César, surgir o homem está morto o regime. O prestígio do Ditador não provém duma tradição multi-secular, nem da grandeza da obra efectuada por seus antepassados. Pelo contrário, é momentâneo, ocasional, logo vive do actual e para o actual. O Cesarismo, aliás como a Democracia, pressupõe uma mística do homem privilegiado opondo-se à do povo soberano, à das maiorias infalíveis. Só com uma diferença! A primeira constitui um ideal dinâmico, nobre, a segunda um ideal estático, o ideal burguês. O viver perigosamente de Mussolini contra o Enrichissez-vous de Guizot. Do conceito de liberdade individual ilimitada, transita-se para o de liberdade colectiva, liberdade essa que já se assula perante a Igualdade, que só existe por meio desta. Desenvolvimento lógico duma teoria cujas premissas residem no conceito do indivíduo, ser associal! Partindo daí, a sociedade só pode ser explicada por um contrato que formule as condições da garantia da independência que o homem possui por natureza. É, então, que surge na determinação dessas condições a contradição entre Liberdade e Igualdade. E ou se concede a cada indivíduo a capacidade de ser diferente dos outros — liberdade no seu sentido liberal, ou se elimina toda e qualquer superioridade - liberdade igualitária. De cada uma destas posições, desenvolvendo ao máximo o seu conteúdo, se chega ao Anarquismo e ao Comunismo. Realmente a libertação do indivíduo conclui-se com a destruição do Estado. Para o anarquismo, não resulta daí, de forma alguma, o perigo de domínio dos fortes sobre os fracos porque: — em primeiro lugar, acredita que esses vestígios de barbárie pertencem não ao indivíduo, mas à sociedade que o perverte; em segundo lugar, porque eleva, ainda mais do que o Liberalismo a ideia da autonomia do homem. Por seu turno, a libertação da colectividade, levada ao extremo, atinge, igualmente, a destruição do Estado após um período de transmissão. Ora este é o ideal marxista — a existência duma sociedade sem classes, isto é, sem Estado, pois que o marxismo considera o Estado como o meio de opressão duma classe por outra. O Anarquismo e o Comunismo, prolongamento de duas posições que por sua vez estão entre si logicamente ligadas, vêm a chegar a conclusões idênticas. É que em ambos, também se encontra a origem individualista, e desenvolvida ao máximo do seu poder lógico. Mas o Anarquismo e o Comunismo esbarram com a realidade forte do homem-social e, por isso, jamais foram factos. O Anarquismo fica no estádio liberal, o Comunismo na social-democracia (excepto quando na ditadura dum homem — hoje Staline). Visando finalidades idênticas, combater-se-ão, sempre, dum lado o Estado polarizado em volta da Liberdade, do outro o Estado polarizado em torno da Igualdade.

António José de Brito

Notas: 1 - Gustave Le Bon, La Révolution Française et la Psychologie des Révolutions.
2 - Rousseau, Du Contrat Social, liv. II, chap. XI.
3 - Gustave Le Bon, La Révolution Française et la Psychologie des Révolutions.
4 - Les Dictateurs.
(In «Mensagem» n.º 2, 28.02.1947. )

sábado, 13 de Dezembro de 2008

Dívida externa aumenta 2 milhões por hora ao longo dos últimos 10 anos

Portugal aumenta a dívida externa em 2 milhões de euros a cada hora que passa.
Bastante assustador, sem dúvida que tempos muito complicados se aproximam.
Imperdível e impressionante entrevista de Medina Carreira no programa "Negócios da Semana", de 11/12/2008, ver aqui o vídeo (~45min).
Nesta entrevista interagem dois homens muito distintos, de um lado um perfeito imbecil, vendedor de banha da cobra que já poucos compram, do outro um homem sensato moldado pela sapiência e pela experiência da vida. Logo nos primeiros instantes se percebe quem é um e quem é o outro.

segunda-feira, 8 de Dezembro de 2008

LISTA DE ALGUNS FAMOSOS MAÇONS

CHURCHILL, WINSTON LEONARD SPENCER (1874-1965) - Político inglês. Iniciado em 24 de Maio de 1901 na Studholme Lodge No 1591, no Café Royal, Londres. Foi elevado e exaltado em 19 de Junho de 1901 e 23 de Março de 1902, respectivamente, na Rosemary Lodge No 2851, que também se reunia no Café Royal, Londres. Depois de 1912 desligou-se da Maçonaria devido a sua actividade política que lhe tomava todo o tempo.

D'ALAMBERT, JEAN LE ROND (1717-1783) - Enciclopedista francês. Membro da Loja Les Neuf Soeurs, Paris.

DUNAT, JEAN HENRI (1828-1910) - Filantropo suíço. Fundador da Cruz Vermelha Internacional. Prémio Nobel da Paz em 1901. Iniciado na Loja Cordialité, Genebra.

EDUARDO VII (1847-1931) - Rei da Inglaterra, filho da Rainha Vitória. Iniciado em Dezembro de 1868, quando Príncipe de Gales, em Estocolmo, pelo Rei da Suécia, Carlos IX. Conforme uma tradição da Casa Real da Inglaterra, assumiu o cargo de Grão Mestre da Grande Loja Unida da Inglaterra desde 1875 até 1901, quando foi proclamado Rei.

FICHTE, JOHAM THEOPHILO (1762-1814) - Filósofo alemão. Iniciado em Zürich. Em 1794 figura como membro de uma Loja em Rudolstadt. Editou "16 cartas a Benjamin Constant", político e escritor francês, sobre a filosofia dos maçons.

FORD, HENRY (1863-1947) - Industrial norte-americano. Foi iniciado em 1894 na Loja "Palestine" No 357, Detroit, sendo exaltado em 28 de Novembro de 1894. Membro honorário da Loja "Zion" No 1 em 21 de Novembro de 1928. Declarado Membro Vitalício de sua Loja Mãe em 07 de Março de 1935. Recebeu o grau 33 do R\E\A\A\ em Detroit em 06 de Dezembro de 1940.

FRANKLIN, BENJAMIN (1706-1790) - Físico e político norte-americano. Iniciado em 1731 em Pennsilvania. Venerável Mestre da Loja de Philadelfia. Foi várias vezes Grão Mestre da Grande Loja de Pennsylvania. Dirigiu a primeira edição da Constituição de Anderson nos EEUU em 1734. Actuou como Experto na Iniciação de Voltaire, na Loja "Lês Neuf Soeurs", Paris.

FREDERICO II o GRANDE, FREDERICO DE HOHENZOLLER (1712-1786) - Imperador da Alemanha, Rei da Prússia. Foi iniciado em 14 de Agosto de 1738 na Loja "Absalão" de Hamburgo ou em uma Loja de Brunswick. Fundou uma Loja no Castelo Real de Rheisberg e, outra com o nome de" Os Três Globos" em Berlim. Desde 20 de Junho de 1740, e durante muito tempo, foi Venerável Mestre da Loja "Charlotenburgo" e Grão Mestre da Ordem na Alemanha. É atribuído a ele a reforma das Grandes Constituições Maçônicas do Rito Escocês Antigo e Aceito. Em 1740 inicia na Ordem seu irmão Wilhem na Loja "Charloltenburgo". Em 16 de Julho de 1774 aprova o Tratado entre as Grandes Lojas de Inglaterra e Prússia.

FREDERICO III (1831-1888) - Imperador da Alemanha. Iniciado em 1853. Ao ser inaugurado em Berlim a Loja "Royal Arch", levantou um brinde em homenagem ao seu pai, empunhando o malhete que pertenceu a Frederico o Grande. Foi declarado membro honorário de outras duas Grandes Lojas. Morreu três meses depois de ter subido ao trono.

GEORGE II (1663-1760) - Rei da Inglaterra. Foi iniciado quando Príncipe de Gales em 1737, por Desaguliers, num castelo perto de Richmond. Foi o primeiro membro da Casa Real inglesa a ser aceito na Maçonaria Especulativa, iniciando uma tradição.

GEORGE II (1890-1947) - Rei da Grécia. Eleito em 1938 como Venerável Mestre da Loja "Mac Walwood" No 5143, Londres.

GEORGE VI (1895-1952) - Rei da Inglaterra. Iniciado na Loja "Navy"No 2612, Londres, em 2 de dezembro de 1919. Foi Venerável Mestre de sua Loja de 1921 até 1922. Primeiro Grão Vigilante da Grande Loja Unida da Inglaterra em 1923; em 1924 foi eleito Grão Mestre da Grande Loja de Middlessex. Instalou seu irmão carnal, o Duque de Kent, como Grão Mestre da Grande Loja Unida da Inglaterra em 1941.

GOETHE, JOHANN WOLFGANG (1749-1832) - Poeta alemão. Iniciado em 03 de Junho de 1780 na Loja "Amália" de Weimar. Em 05 de dezembro de 1814 foi iniciado seu filho Auguste, para quem compôs um poema intitulado "Symbolum". Em 1781 é elevado a Companheiro e em 1783 exaltado a Mestre. Em 23 de Junho de 1830 celebra seu Jubileu Maçônico, aos 81 anos de idade, na sua Loja Mãe. Jamais presidiu a Loja, sendo seu Orador nas sessões magnas.

GUILHERME I (1797-1888) - Imperador da Alemanha. Iniciado em 22 de Maio de 1834 pelo Grão Mestre Conde Henckel von Donnersmark, na presença de outros Grandes Mestres das Grande Loja da Prússia. No mesmo ato declarou-se Protector da Ordem e foi exaltado a Mestre das três Grandes Lojas.

GUSTAV V (1838-1950) - Rei da Suécia. Celebrou seus 50 anos de Maçom em 13 de Janeiro de 1927.

JACOBI, FRIEDRICH HEINRICH (1743-1819) - Filósofo alemão. Membro da Loja "La Parfaite Amitié", Düsseldorf.

JUÁREZ GARCIA, BENITO (1806-1872) - Presidente do México, filho de índios zapotecas. Iniciado em 15 de janeiro de 1847 na Loja "Independência" No 2, Cidade de México. Colado no grau 33.

KRAUSSE, KARL CHRISTIAN FRIEDRICH (1781-1832) - Filósofo alemão. Iniciado na Loja "Arquimedes", Altenburgo, em 1805; depois foi eleito Orador da Loja "Três Espadas". Autor de uma obra sobre os três mais antigos documentos maçônicos.

LA FAYETTE, MARIE JOSEPH PAUL ROCH YVES GILBERT DU MOTIER, Marques de ( 1757-1834) - Militar e político francês. Existem três versões sobre a data e local da sua iniciação: 1) no inverno de 1777, em Valley Forge, durante a campanha pela independência dos EEUU; 2) em 27 de dezembro de 1779, em uma Loja militar de Morriston, New Jersey, sendo Venerável Mestre George Washington; 3) em 1775 na Loja "La Candeur", Paris. Alcançou o grau 33. Seu filho George Washington La Fayette, também foi maçom na França.

LESSING, GOTTHOLD EPHRAIM (1729-1781) - Dramaturgo e crítico alemão. Iniciado em 1771 na Loja "Zu Den Drei Goldenen Rosen", Hamburgo. Obras maçônicas: Nathan, o Sábio; Ernest e Falk (um diálogo para maçons); A educação da Raça Humana.

LOUIS XVI (guilhotinado em 1793) - Rei da França. Iniciado junto com seus irmãos carnais, o Conde de Provence e o Conde de Artois. Manteve uma discreta polêmica com a Loja "Les Neuf Soeurs" ao não concordar com a homenagem fúnebre a Voltaire, porém sem abusar da sua autoridade.

MAISTRE, JOSEPH DE (1753-1821) - Filósofo e diplomata francês. Iniciado em 1773 na Loja "Les Trois Motiers", Chambery. Membro da Loja "La Sincerité", também de Chambery. Filiou-se ao Grande Oriente da França.

MARTI, JOSÉ (1853-1895) - Patriota e poeta cubano. Iniciado em 1872 da Loja "Armonia", No 52, Madri, dependente do Grande Oriente Lusitano Unido; na maçonaria cubana usava o nome simbólico de Anahuac. Ao final da sua vida ostentava as insígnias do grau 30, Cavaleiro Kadosch.

MENDELSSOHN, MOSES (1729-1786) - Filósofo alemão, avó do compositor Felix Mendelssohn. Membro do Rito Escocês, inspirou a Lessing, também maçom, a obra "Nathan, o Sábio".

MIRANDA E RODRÍGUEZ, FRANCISCO ANTONIO GABRIEL DE (1752-1816) - Patriota venezuelano. Precursor da independência dos povos da América do Sul. Duas versões para sua iniciação: 1) em uma Loja de Madri; 2) na Loja "América", Virginia, por George Washington. Em 1797 funda em Londres a Loja "Grande Reunião Americana", Grafton Square, 27, Fitzroy Square, que fica perto de Piccadilly Circus. Nessa Loja, Miranda iniciou à grande maioria dos patriotas da América do Sul. Fundador, em Caracas, da primeira Loja maçônica.

MITRE, BARTOLOMÉ (1821-1906) - Presidente da Argentina. Ao terminar seu período entrego o mando supremo da nação ao futuro Presidente, Domingo Faustino Sarmiento, também maçom.

MONTESQUIEU, CHARLES LOUIS DE SECONDAT, Barão de la Brède e de (1869-1755) - Filósofo francês. Iniciado em maio de 1730 na Loja "Horn", Westminster.

NAPOLEÃO I BONAPARTE (1769-1821) - Imperador da França. A questão sobre se Napoleão foi ou não maçom tem sido motivo de muitas controvérsias e investigações dos historiadores maçônicos, sem se ter conseguido até agora, dar um parecer definitivo baseado em documentos autênticos ou irrefutáveis. Na Revista A Verdade (São Paulo) de Novembro de 1985 lemos que, segundo a publicação "The New Age", Napoleão teria sido iniciado no Egipto em 1795, sendo na ocasião Primeiro Cônsul. Na Revista Maçônica do Chile, Novembro/Dezembro de 1957, lemos que o avental maçônico de Napoleão e de seu irmão carnal Jerónimo, encontram-se no Museu de Malmaison. Há o fato sugestivo de que as personalidades mais importantes do círculo maçônico fossem maçons, por exemplo: dos 25 Marechais de Napoleão, 10 eram maçons: Angerau, Bernardotte, Berthier, Massena, Kellermann, Marmont, Murat, Ney, Oudinot e Mac Donald. No balaústre oficial de uma festa no Grande Oriente da França, no ano de 1805, cita-se um discurso que afirma que "Napoleão tinha solicitado e recebido a luz maçônica na sua campanha no Exército". Em 1807, numa Loja de Milão que tinha o nome da Imperatriz da França, levantou-se um brinde em honra de "Napoleão Irmão, Imperador e Rei". Nos arquivos do Grande Oriente D'Itália encontrou-se recentemente (conforme Revista Maçônica do Chile Junho de 1939) uma Ata de Sessão especial de 13 de Abril de 1811 em "celebração do nascimento do Príncipe de Roma, primogénito do ilustre Irmão Napoleão". Nas Lojas de Troyes e Grenoble, existem Atas de Sessões em que se faz referência ao irmão Napoleão.

O'HIGGINS RIQUELME, BERNARDO (1776-1842) - Libertador do Chile. Iniciado por Miranda na Loja Grande Reunião Americana, Londres. Fundador de uma Loja Lautarina em Santiago.

OSCAR II (1829-1907) - Rei da Suécia e da Noruega. Iniciado em 07 de Dezembro de 1848.

PEDRO I (1798-1834) - Imperador do Brasil. Iniciado em 02 de Agosto de 1822 na Loja Comércio e Artes do Grande Oriente do Brasil. No 05 de Agosto do mesmo ano, em sessão extraordinária presidida pelo Primeiro Vigilante Gonçalves Ledo, é proposto e aprovado que seja exaltado a Mestre Maçom. Em 14 de Setembro de 1822 sucede a José Bonifácio como o segundo Grão Mestre do Grande Oriente do Brasil. Cansado das brigas políticas entre os membros da maçonaria divididos entre Gonçalves Ledo e José Bonifácio, Dom Pedro I suspende os trabalhos maçônicos em 25 de Outubro de 1822.

PEDRO I, O GRANDE (1672-1725) - Imperador da Rússia. Foi iniciado por Sir Christopher Wren no Grau de São Andrés do Rito Escocês e prometeu estabelecer a Ordem na Rússia.

PROUDHON, JOSEPH (1809-1865) - Político e filósofo francês. Iniciado em 08 de Janeiro de 1847 na Loja Sincerité, Parfaite Union et Constante Amitié Reunies, Besançon.

PEDRO III (1723-1762) - Imperador da Rússia. Em 1762 cedeu uma casa para as reuniões da Loja Constança e, pessoalmente, dirigia os trabalhos maçônicos em Graniembaum.

QUESNAY, FRANÇOIS (1694-1774) - Economista francês, fundador da Escola dos Fisiocratas. Membro da Loja Les Neuf Soeurs, Paris.

QUEZÓN, MANUEL L. (1878-1944) - Presidente das Filipinas. Grão Mestre da Grande Loja das Filipinas, deixou o cargo, publicamente, para obter o voto dos católicos.

ROOSEVELT, FRANKLIN DELANO (1882-1945) - Presidente dos EEUU desde 1933 até a sua morte. Iniciado na Loja Holland No 8, New York, em 10 de Outubro de 1911. Elevado em 14 de Novembro de 1911. Obteve o grau 32 do Rito Escocês Antigo e Aceito em 28 de Fevereiro de 1929, em Albany, capital do Estado de New York, sendo então Governador do Estado. Em 1933 (17 de Fevereiro ou Abril) confere o grau 3o a seu filho Elliot, na Loja Architect, No 519, New York, e, na mesma Loja assiste em 07 de Novembro de 1934 ou 1935, a sessão de exaltação de seus filhos James e F.D.Roosevelt Jr. Foi membro activo das seguintes instituições maçônicas:
Cypress Temple Sherine, Albany, N Y
Tripo Red Grotto, Pougkeepsie, NY
Greenwood Forest, Tall Cedards of Lebanon, Warficj, N Y
Membro Honorário da Loja Washington Centennial, No 4, Washington, colocando a Pedra Fundamental do Templo dessa Loja em 21 de novembro de 1919
Membro Honorário das seguintes Lojas: Architect No 519 (NY), Capital Forest No 104, Tall Cedards of Lebanon e da Almas Temple, Sherine, Washington.

ROOSEVELT, THEODOR (1858-1919) - 26o Presidente dos EEUU; pai de Franklin D. Roosevelt. Foi iniciado na Loja Matinecock, No 806, Oyster Bay, N Y, em 02 de Janeiro de 1901.

SAN MARTIN MATORRAS, JOSÉ DE (1778-1850) - Libertador da Argentina, Chile e Peru. Teve intensa vida maçônica. Em 1908, incorpora-se a Loja Legalidade, Cádiz. Funda Lojas Lautarinas em Santiago (12 de março de 1817) e em várias cidades argentinas, sendo Venerável Mestre de várias delas. A primeira, fundada em sua chegada a Buenos Aires, em 1812, abrigou a Belgrano, Moreno, Pueyrredón, Blanco Encalada e outros patriotas argentinos.

SUN-YAT-SEN (1866-1925) - Fundador e primeiro Presidente da República China. Venerável Mestre de uma Loja formada por chineses em San Francisco de Califórnia.

TRUMAN, HARRY S. (1884-1973) - Presidente dos EEUU na morte de Franklin D. Roosevelt. Iniciado na Loja Belton, No 450, em 09 de Fevereiro de 1909; exaltado em 18 de março de 1909. Eleito Segundo Vigilante em 1910. Em 1911 ajuda a formar a Loja Grandview, No 618, sendo eleito Venerável Mestre dela. De 1925 até 1930 foi Deputado do Grão Mestre do Distrito e Conferencista do Distrito Maçônico No 59. Em 1930 foi Grão Guarda do Templo interior e em 1940, Grão Mestre da Grande Loja de Missouri.

VOLTAIRE, JEAN-MARIE AROUET conhecido como (1694-1778) - Escritor e filósofo francês. Em 07 de fevereiro de 1778, numa das cerimônias mais brilhantes da história da maçonaria mundial, a Loja Les Neuf Soeurs, Paris, inicia ao octogenário Voltaire, que ingressa no Templo apoiado no braço de Benjamin Franklin, embaixador dos EEUU na França nessa data. A sessão foi dirigida pelo Venerável Mestre Lalande na presença de 250 irmãos. O venerável ancião, orgulho da Europa, foi revestido com o avental que pertenceu a Helvetius e que fora cedido, para a ocasião, pela sua viúva. Voltaire falece três meses depois.

WASHINGTON, GEORGE (1732-1799) - Libertador e primeiro Presidente dos EEU. Foi iniciado no 04 de novembro de 1752 tendo pago 02 libras e 03 shellings; na Loja No 04 de Frederiksburg recebe a elevação de grau em 03 de março de 1753 e é exaltado a Mestre em 04 de agosto de 1753. Presumivelmente foi o primeiro Venerável Mestre da Loja Alexandre No 22, Alexandria, pois seu nome aparece em primeiro lugar na lista da Comissão que recebeu a Carta Constitucional em 25 de Abril de 1788. Prestou juramento como Presidente dos EEUU, ante o Ministro Livingston, que era Grão Mestre, sobre a Bíblia da Loja Saint John, de New York. Na cerimónia do lançamento da primeira pedra do Capitólio, apareceu com as insígnias de Venerável Mestre de Honra da sua Loja. Mackey afirma que Washington foi iniciado durante a guerra com a França na Loja Militar, No 227 do regimento 46.

sábado, 6 de Dezembro de 2008

Toda a Verdade sobre o Clube Bilderberg

Autor: Daniel Estulin
O livro "Toda a Verdade Sobre o Clube Bilderberg" de Daniel Estulin foi recentemente publicado pela Europa-América numa edição actualizada e 90% diferente da edição anterior da Temas & Debates (que inclusivamente não publicou alguns excertos e fotos que mencionavam o caso Casa Pia e alguns políticos portugueses membros da Bilderberg) sumida do mercado.

Durão Barroso, José Sócrates, Francisco Pinto Balsemão, António Guterres, Santana Lopes, Vítor Constâncio são alguns dos nomes portugueses que integram o clube Bilderberg

Por detrás de portas fechadas……e passando os guardas armados, chega-nos a verdadeira história da poderosa elite mundial e dos seus planos secretos para o SEU futuro…
Entre num mundo de intrigas e secretismo e passe a saber o que nunca antes foi revelado! Desde que se reuniram pela primeira vez no Hotel Bilderberg, em 1954, os homens mais poderosos do mundo cumprem anualmente este ritual e durante um fim-de-semana planeiam os destinos da Humanidade, estejam eles relacionados com questões económicas e políticas ou com relações internacionais. Intitularam-se o Clube Bilderberg e este é constituído por nomes tão sonantes quanto Bill Clinton, Tony Blair, Paul Wolfowitz, Henry Kissinger, David Rockefeller, entre outros.Mais de 50 encontros foram realizados, mas a imprensa nunca teve acesso nem às conclusões nem à ordem de trabalhos destas reuniões. De que falam os homens mais poderosos do mundo? Que influências têm estes sobre os nossos destinos? O autor responde-nos exactamente a estas questões, e a muitas mais, provando-nos que este Clube tem ramificações bem enraizadas por todo o planeta. Saiba toda a verdade sobre os planos secretos de um clube de elite que acredita que tem o direito de ditar os destinos do mundo!Daniel Estulin é um jornalista premiado que há 15 anos investiga os segredos e as tramas que envolvem o Clube Bilderberg. É autor de La Verdadera Historia del Club Bilderberg (2005), um best-seller traduzido em 29 línguas e publicado em mais de 49 países.
Uma obra polémica e reveladora!

Título original: The True Story of The Bilderberg Group
Data de Edição: Dezembro 2008

quarta-feira, 3 de Dezembro de 2008

PORTUGAL, O PCP, IGNORÂNCIA, DISTRACÇÕES E MEMÓRIA CURTA

João José Brandão Ferreira -TCor Pilav (Ref) 20/11/08

“Fala-se tanto da necessidade de deixar um planeta melhor para os nossos filhos, e às vezes esquece-se da urgência de deixarmos filhos melhores para o nosso planeta” (Autor desconhecido)

Alguém se lembra, hoje em dia, do verdadeiro PCP? Ou seja aquele que foi aparentemente derrotado em 25 de Novembro de 1975?
Certamente que muito poucos cidadãos se lembram. Alguns destes, mais conscientes e conhecedores da vida e dos homens, têm-se interrogado sobre como é ainda possível, que no século XXI, depois da derrocada da URSS e da falência do modelo comunista em todo o lugar em que foi implantado, o PC tenha uma expressão eleitoral tão elevada num país como Portugal – a que, ainda por cima, se tem que juntar a chamada extrema esquerda.
Creio bem que só por distracção haverá lugar a qualquer tipo de admiração neste âmbito.
Ora atentemos.
O PCP não saiu derrotado no 25 de Novembro. Essa assumpção resulta de um erro profundo de análise. O que o PC fez foi uma retirada estratégica brilhante, diga-se de passagem, disimulando-se na vida nacional e conseguindo reter respeitabilidade democrática.
O Partido conseguiu atingir o objectivo principal que tinha – melhor dizendo, de que teria sido incumbido – e que foi a entrega do Poder, aliás num espaço de tempo muito curto, de todos os territórios ultramarinos portugueses, com excepção de Macau, nas mãos de partidos marxistas e apenas nesses, e sem qualquer referendo às populações, que sabiam não poder ganhar.
A URSS averbou, assim, a sua última grande vitória na chamada “Guerra Fria”.
No território europeu de Portugal com excepção dos arquipélagos, por via da religiosidade católica da maioria da população e por serem ilhas, o PC conseguiu subverter todo o edifício do Estado e virar do avesso a sociedade portuguesa, pondo-a à beira da guerra civil. Estamos em crer que a nível da cúpula partidária ainda se alimentou a esperança da tomada pura e dura do Poder, em Lisboa, mas a realidade geopolítica desaconselhava vivamente tal aventura e Moscovo percebeu isso rapidamente.
E aqui temos a primeira grande razão para que o PC mantenha a sua votação: a “decalage” no tempo, isto é, enquanto os partidos comunistas por essa Europa fora foram sofrendo a erosão do tempo, o PCP apenas surgiu em força por alturas de 1974/5, já que a repressão que o anterior regime lhe moveu praticamente o impediu de actuar.
Acresce o facto de, na sequência do 25/11/75, altura em que se poderia ter desmontado toda a previsível estrutura clandestina, os poderes emergentes vieram afirmar que o PC fazia falta à democracia portuguesa. O país está a pagar tal insensatez muito caro. Esta ideia é incompreensível, já que não há exemplo no mundo, de um partido comunista que tenha sido governo ter tido, alguma vez, um comportamento democrático.
O PCP não é um partido como os outros. É um misto de estrutura militar e de seita religiosa , já que a sua doutrina funciona muito mais como uma espécie de religião.
Tem hierarquia, disciplina, organização. Definem objectivos e estratégias; têm princípios e um conjunto de funcionários profissionalizados e coesos (um estado maior …).
Os restantes partidos ao pé deles são uns aprendizes de feiticeiro, ainda por cima cheios de trapaceiros, palermas e oportunistas.
O PC não ganha, porque a grande maioria do povo português é visceralmente contra o que defendem; porque o comunismo é avesso à natureza humana e é incompetente em termos económicos e sociais. E o comunismo revelou-se sanguinário na sua acção.
Além disso não se pode esquecer que o PCP, durante toda a sua existência, teve um papel anti-patriótico defendendo objectivamente os interesses de uma potência estrangeira que se revelou ser inimiga de Portugal: a URSS.
Mesmo assim ainda conseguiu juntar no funeral desse herói do Kremlin, chamado Álvaro Cunhal, uma multidão de cerca de 100.000 pessoas.
Não se deve menosprezar o PCP e nunca se sabe o dia de amanhã.
O PC é um multiplicador de sinergias. Em 1974, por exemplo, antes e após o golpe de estado de Abril, constituindo um grupo absolutamente minoritário no País e no seio das FAs, infiltraram-se de tal maneira no MFA [1] que conseguiram passar a dominar os acontecimentos a seu belo prazer, até 25 de Novembro de 1975. Um facto que irá ficar, certamente, nos anais das revoluções e que convém não ser esquecido.
O PCP não é apenas um partido, é um pequeno estado dentro do estado.
O PC não manda no sentido em que não ocupa nominalmente as cadeiras do Poder. Mas manda no sentido em que condiciona tudo o que se passa. Começa na constituição de 1976, elaborada maioritariamente sob a sua influência ideológica e cuja matriz central ainda se mantém até aos dias de hoje, mesmo depois das revisões a que já foi sujeita.
O PC fomenta constantemente o descontentamento (qualquer que seja o governo) e depois cavalga a insatisfação. Cria estruturas paralelas de Poder; inventa partidos satélites, disfarça-se em associações, possui gráficas, redes de distribuição, condiciona a historiografia e domina os principais sindicatos. Dispõe, constantemente, militantes seus em lugares chave, desde o topo da hierarquia do Estado até às mais pequenas juntas de freguesia. Estamos convictos de que o PC possui o melhor serviço de informações que existe em Portugal, muito superior ao SIS, SIED e SIM [2] juntos e estão preparados para passar à clandestinidade no prazo de 24H. [3]
O PCP não é um partido é “o” Partido e merece a designação.
A nível dos órgãos do Estado, dos Serviços de Informação, das Forças de Segurança, das FAs, etc., e até da Igreja, ninguém parece estar preocupado com a sua acção. Vivem na doce ilusão de que é tudo “democrático”ninguém sabendo ao certo o que entender por semelhante expressão.
O PCP só se vence com doutrinação, combate ideológico, humor, leis adequadas, determinação e, claro, forças de contenção para qualquer tentativa espúria de passagem do Rubicão. Porque passar o Rubicão está-lhes na massa do sangue.
E nem sequer é difícil, porque o modo de actuação e doutrina estão escritos são postos em prática da mesma maneira, em qualquer parte do mundo e carecem de flexibilidade de actuação. Por isso é que a tentativa de “renovar” (lembram-se dos renovadores?) o partido está votada ao insucesso. Qualquer reforma no PCP destrui-lo-ia e teria que se passar a chamar outra coisa qualquer.
Ora tudo isto faz com que o PC tenha um Poder real desmesurado relativamente à sua expressão eleitoral.
A última razão porque se têm aguentado tão bem reside no sofisma que têm conseguido manter, de terem sido os campeões da luta anti fascista (olha se têm ganho?!).
As “vítimas” mortais de tal acção – onde confundiram constantemente, ou não distinguiam , a luta política contra o regime do Estado Novo, com os interesses da Nação Portuguesa, não ultrapassam as três dezenas, a maioria das quais tinha praticado acções violentas. Isto para um período de cerca de 50 anos. Certamente que tais vitimas (e é sempre lamentável haver vitimas) não representam mais do que uns segundos de assinaturas de condenação à morte do Kamarada José (Estaline), num dos seus dias melhores...
A lavagem ao cérebro, as mentiras matraqueadas “ad nauseum” e as actuações desvairadas de tantos, nos anos de 1974/75 – e que continuam em versão soft —, condicionaram psicologicamente a grande maioria da população que esta continua vergada intelectualmente pelo medo e pela ignorância.
E a única coisa que aparece clara e como expoente da actividade do PCP é a festa do Àvante. Tudo o resto é nevoeiro …
Sendo a luta política, à superfície, travada no seio dos partidos políticos, aquela que, aparentemente, é mais importante, ocorre atrás das “cortinas”, fundamentalmente entre o PCP, a Opus Dei, as diversas maçonarias clássicas e as mais finas e mais modernas, “organizações de Poder”, financeiro (e não só) internacionalista.
Perante tudo isto o povo português, privado de uma liderança patriota, faz décadas, vive aparvalhado, privado de educação e informação e confundido pelo dilúvio e propaganda mediática.
Tem havido até agora algum pão e muito circo. A questão é o que irá acontecer quando só houver circo.

João José Brandão Ferreira
TCor Pilav (Ref)

[1] Movimento das Forças Armadas.
[2] Serviço de Informações de Segurança; Serviço de Informações e Estratégia de Defesa e Serviço de Informações Militares.
[3] Queremos afirmar que não lemos ainda o livro da Zita Seabra.

terça-feira, 2 de Dezembro de 2008

Ventos de Mudança - A Direita de Novembro

A cena repete-se todos os anos: no dia 25 de Novembro, a direita portuguesa celebra a derrota do comunismo. O 25 de Novembro (25/11) é a oportunidade para os direitistas elaborarem uma inconsequente birra ideológica. Se deixasse de lado esta teatralidade, a direita talvez percebesse que o 25/11 é a causa principal da ilegitimidade das ideias liberais e conservadoras em Portugal. A inferioridade moral imposta à direita portuguesa não advém do 25 de Abril, mas sim do 25/11.

Nos anos do PREC, uma estranha forma de pluralismo circulava de boca em boca: o 'pluralismo socialista'. Aqueles que lutavam contra o 'socialismo autoritário' do PCP defendiam, em alternativa, um 'pluralismo socialista'. Na prática, isto significava o quê? Bom, significava que Portugal deveria ter vários partidos políticos, mas todos esses partidos tinham de ser socialistas. Mas que pluralismo poderia existir quando toda a gente era obrigada a ser socialista? Ora, o 25/11 consagrou este estranho pluralismo. Isto porque o PCP conseguiu impor um acordo que marcou a vida do regime até aos nossos dias. Os comunistas desistiram da ditadura comunista de partido único e aceitaram a democracia pluralista, mas, em troca, exigiram que todos os partidos tinham de respeitar a via socialista.

Foi este acordo que transformou este regime na coisa monocórdica que conhecemos. Foi este pacto entre o 'socialismo autoritário' e o 'socialismo pluralista' que deu o carácter apolítico e antipluralista à nossa democracia. Em 2008, ainda não existe um real pluralismo ideológico. Trinta e três anos depois, o nosso leque de escolhas continua a resumir-se ao 'socialismo pluralista' (PS, CDS e PSD) e ao socialismo demagógico (PCP e BE), a versão suave do velho 'socialismo autoritário'. O 25/11 matou a política em Portugal. Ficou tudo decidido ali. Vários partidos, mas uma só ideologia: o estado socialista.

Desde cedo, o estado socialista começou a seduzir a direita para o harém do regime: o Orçamento Geral do Estado. Lugares almofadados na administração pública para tecnocratas, pareceres faustosos para escritórios de advogados e negócios faraónicos para empresários, eis o que o harém tem oferecido à direita desde 1975. E a direita vive numa condição de inferioridade moral e ideológica porque aceitou ser comprada. Várias colecções de advogados e empresários gostam de dizer que são de direita em tertúlias pós-laborais, mas, entre as 9 e as 5, adoram espreguiçar-se à sombra do estado socialista imposto pelo 25/11. A promiscuidade entre negócios e política - a marca do regime - tem a sua raiz profunda em Novembro de 1975.

Henrique Raposo

Publicado no Jornal Expresso: http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?sid=ex.sections/24907

domingo, 30 de Novembro de 2008

A Trama Maçónica e a Entrevista ao seu Autor

Acabado de chegar ao mercado nacional: TRAMA MACONICA, A Manuel Guerra
Comprar: http://www.livapolo.pt/index.php?action=artigo_detalhes&artigo_id=69685
Este estudo procura facilitar o conhecimento da Maçonaria partindo de dentro dela própria – da análise dos seus documentos, dos seus rituais e de informações recolhidas junto de membros seus. Aborda, entre outros temas, as relações entre maçonaria e religião, maçonaria e ética, maçonaria e poder, a criatividade dos mações e as seitas, sem esquecer a forma de actuação característica da Maçonaria, ou seja, a «discrição» ou o «segredo» maçónico.Este estudo exaustivo das origens históricas, da natureza e dos princípios orientadores da maçonaria, bem como dos inúmeros ritos e obediências maçónicos e das várias seitas e organizações ligadas à maçonaria, sem esquecer a incontornável questão das suas relações com o catolicismo. Uma abordagem actual e profunda que põe a descoberto uma complexa trama ritual e simbólica favorecedora de relações de influência na esfera do poder que é, por natureza, fragmentária e paradoxal.


Entrevista a Manuel Guerra, autor de «A trama maçônica»

BURGOS, terça-feira, 3 de abril de 2007 (ZENIT.org)

É verdade que existe uma conspiração maçônica?
Católico e maçom, compatível?
O Parlamento Europeu está dominado por maçons?
São perguntas que o professor Manuel Guerra, autor de vinte e cinco livros sobre seitas e outras questões, se formulou e tenta responder nas 444 páginas de «A trama maçônica», de Styria Edições. Manuel Guerra Gómez (Villamartín de Sotoscueva, 1931) é doutor em filosofia clássica e em teologia patrística e membro da Real Academia de Doutores da Espanha. O professor Guerra foi presidente da Faculdade de Teologia do Norte da Espanha, sedes de Burgos e Vitória.

«O método maçônico, intimamente unido ao laicismo, reflete o relativismo historicista e conduz ao relativismo sócio-cultural promovendo-o», afirma à agência Zenit.

–A famosa conspiração maçônica com o poder é uma realidade?
–Guerra: É preciso distinguir entre maçonaria e maçons. A maçonaria enquanto tal e em teoria não aspira a possuir o poder ou, ao menos, a tê-lo ao serviço de seus princípios e interesses. Mas, de fato, os maçons estão presentes em quase todos os organismos internacionais decisórios e nas multinacionais de poder econômico e político. É lógico que tentem fazer presentes seus princípios ideológicos (relativismo, laicismo, gnose) onde quer que se encontrem e desde seus lugares para fora, por irradiação. Também, no mundo anglo-saxão e nos países nórdicos, na Turquia, etc., não é que aspirem a ter o poder, é que eles são o poder. Assim ocorre quando o rei é o Grão-Mestre da Grande Loja Unida da Inglaterra (GLUI) e das mais de 150 Grandes Lojas (uma em cada nação, nos EUA uma em cada Estado). No ano 1995, a GLUI contava com 750.000 membros em 8.000 lojas de todo o mundo. Também, como impera o segredo, não há modo de precisar onde atuam e até onde chega seu influxo direto, muito menos o indireto. O governo de Tony Blair impulsionou um movimento que reclama a obrigação dos maçons a declarar sua pertença à maçonaria, sobretudo se são funcionários do Estado, especialmente na judicatura e na polícia. É incomensurável a resposta de mais de 1.400 juízes ingleses que declararam voluntariamente sua afiliação à maçonaria. Evidentemente, são muitos mais. Após o affaire da loja encoberta P2 (Licio Gelli), os funcionários italianos em determinados âmbitos da administração pública, se são maçons, estão obrigados a declará-lo ou, em caso contrário, eles se expõem a perder seu posto (lei do ano 1983 da região de Toscana com Florença como capital).

–O famoso 60% de maçons no Parlamento Europeu, é um dado certo?
–Guerra: Esta porcentagem ou uma similar é a designada por Josep Corominas, Grão-Mestre da Grande Loja da Espanha (GLE) até março de 2006. Em 9 de fevereiro de 2007, ele abandonou a GLE ainda que afirme continuar sendo maçom e deseje ser considerado como tal.
Uma nova cisão e obediência maçônica ou sua incorporação a outra das já existentes? De fato, todas as propostas familiares, bioéticas, em dissenso com a doutrina da Igreja e inclusive com a lei natural, foram aprovadas pelo Parlamento Europeu. Recorda-se também o caso do italiano Rocco Buttiglione, rejeitado pela maioria laicista.

–Em Roma se acaba de celebrar um congresso no qual se recorda a incompatibilidade entre catolicismo e maçonaria, mas se convida a dialogar com os maçons em assuntos sócio-culturais. Como se faz isso?
–Guerra: Apesar da incompatibilidade objetiva entre a maçonaria e o catolicismo, os católicos podem dialogar com os maçons em vários planos, não no que a Santa Sé, consciente dos riscos, reservou como competência exclusiva sua: «Não compete às autoridades eclesiásticas locais pronunciar-se sobre a natureza das associações maçônicas com um juízo que implique a derrogação do que foi estabelecido acima» (Declaração sobre as associações maçônicas, 26. XI. AAS 76, 1984, pág. 100). Também convém levar em conta a realidade e as conseqüências do segredo maçônico. Como dialogar com alguém que está mascarado? Não obstante, pode dialogar-se em assuntos sócio-culturais. As religiões e as ideologias terminam por formar e conformar sua respectiva cultura, ainda que há uma base comum. O cultural, ao menos na teoria, é um setor mais fácil para o diálogo que o especificamente religioso e ideológico. É mais cômodo estabelecer o diálogo intercultural (sobre a fome, a alfabetização, a ecologia, a saúde, a globalização, etc.) que o inter-religioso. Mas, até neste campo, o diálogo com a maçonaria encontra sérias dificuldades, pois o laicismo maçônico, aberto ou não, pretende desprezar o especificamente religioso, o que não for comum a todas as religiões e éticas, fechando-o como em «prisão domiciliar» no foro da consciência individual e dentro dos templos. Por isso, procura apagar os traços sócio-culturais cristãos nos países tradicionalmente cristãos, por exemplo, os «presépios» ou representações do mistério natalino e sua simbologia (estrelas com ou sem figuras dos Magos, incensários nas ruas durante o Natal, etc).

–A maçonaria é um substituto da religião?
–Guerra: A maçonaria, em sintonia com um de seus produtos, a Nova Era, prefere usar «espiritualidade», termo de ressonâncias mais subjetivas, em vez de «religião». Os maçons, além disso, declaram-se cristãos, negam que a maçonaria seja religião. Se o afirmassem, reconheceriam sua pertença a duas religiões: a católica e a maçônica. Mas, de fato, ao menos para muitos, especialmente para os maçons agnósticos, deístas, é um substituto da religião. Mais ainda, a maçonaria é chamada «religião» e inclusive «a religião» em escritos maçônicos e dos maçons.

–Como você se aproximou deste mundo, se é secreto?
–Guerra: Dediquei muitas horas a estudar as constituições, os regulamentos e os rituais das diferentes Obediências ou federações de lojas maçônicas, assim como a conversar com maçons e ex-maçons na Espanha e no México, também a ler livros sobre maçonaria, escritos por maçons e por não-maçons. No México, há uns dez anos, permaneci dois verões falando diariamente sobre maçonaria com professores de suas universidades, maçons e não maçons. Dedicava as tardes a visitar centros de diferentes seitas, algumas para-maçônicas, que costumavam encontrar-se na periferia urbana.

–A maçonaria é mais um método que um conteúdo?
–Guerra: O homem, além de pensar, sente e imagina. Os sentimentos e as imaginações podem provocar interferências perturbadoras da lucidez mental. Não obstante, as idéias e crenças orientam o homem, os princípios e as instituições humanas, ao mesmo tempo que as conformam. Mas para alcançar a meta, é necessário utilizar o «método» adequado. Precisamente a etimologia grega desta palavra designa o «caminho» (g. odós) que deve percorrer-se para chegar «mais além» (gr. Met), ou seja, à meta. Na maçonaria, seu método alcança a máxima categoria e eficácia, pois, de fato, converteu-se em um de seus «princípios», talvez o básico e configurador dos outros. Precisamente o método maçônico é um dos motivos pelo qual a maçonaria é incompatível com a doutrina cristã. O método maçônico, intimamente unido ao laicismo, reflete o relativismo historicista e conduz ao relativismo sócio-cultural, promovendo-o. Alain Gérard, um dos dirigentes do Grande Oriente da França, reconhece que «a maçonaria é somente um método». Segundo ele, um maçom pode ter «opiniões», ou seja, crenças próprias de uma religião determinada, mas o método maçônico o obriga a «questionar» suas opiniões e a aceitar a possibilidade de que sejam declaradas falsas se forem superadas em uma síntese de razões mais sólidas e com o apoio da maioria. «Não existe uma verdadeira posta em discussão se previamente se declara que, seja qual for o resultado da discussão, há pontos nos quais um estará sempre convencido de ter razão», afirma. Daí a alergia maçônica aos dogmas e às religiões qualificadas de dogmáticas, reveladas, especialmente a cristã. Daí também que os maçons tendam a considerar a democracia como uma obra da maçonaria e o método democrático (aprovação por maioria de votos) como algo co-natural ao maçônico, que o estende a todas as realidades, também à verdade, ao bem, etc. Precisamente o atual Grão-Mestre do Grande Oriente da França, Jean Michel Quilardet, em declarações a «La Voz de Asturias» (20 de janeiro de 2007, Oviedo/Espanha) reconhece: «Pode-se pensar que existe uma democracia não leiga (= não laicista, não maçônica), mas a minha forma de ver e segundo meu pensamento, o laicismo é um avanço na democracia». Conseguintemente, os democratas, que não são laicistas ou maçons, se são democratas, são como de segunda categoria.

–Os maçons são uma minoria criativa. Os cristãos também?
–Guerra: Evidentemente, os maçons não monopolizam a criatividade. Ainda que de diferente forma, corresponde também, em não menor grau, aos cristãos com a ajuda da graça divina e o influxo do Espírito Santo. Para comprová-lo, basta repassar a história da Igreja e sua adaptação evangelizadora às circunstâncias sócio-culturais tão mutáveis nos dois mil anos de sua existência. «A mão ou o poder de Deus não se recortou» (Is 59, 1) em nossos dias. Quando, há poucos anos, João Paulo II chamava os Movimentos eclesiais de «florescimento primaveral», «novo Pentecostes», «dom particular do Espírito Santo à Igreja em nosso momento histórico», inicialmente o atribuía à sua grande bondade. O bom, o santo, não vê senão bondade em tudo, como o avarento descobre lucro e o luxurioso, prazer sexual. Quando tive de realizar um estudo, «Os movimentos eclesiais na Espanha» (Real Academia de Doutores da Espanha, «O estado da Espanha», 2005, páginas. 80-94) e descobri a realidade, fiquei impressionado. Que criatividade a dos filhos da Igreja, movidos e inspirados pelo Espírito Santo, em nossos dias! Como ficariam a Igreja e o mundo se os Movimentos eclesiais, as obras docentes e assistenciais, etc., desaparecessem como por arte mágica, deixando uma espécie de gigantesco «buraco negro» na galáxia eclesial e na sócio-cultural?

quinta-feira, 27 de Novembro de 2008

A Revolução da Perfídia: Desmarxização da História de Portugal


O provérbio é antigo “mais vale tarde do que nunca”. Assim é o sentimento que, com o coração despedaçado num misto de vergonha e ódio, me envolve após a leitura deste livro. Esta bomba contra a grande farsa do século XX, que tardou mas chegou, nada deixará igual nos cérebros moldados pela aterradora cultura marxista em voga. Qualquer português, que possua a mínima capacidade de discernimento não pode ficar indiferente perante a verdade dos factos. A Revolução da Perfídia não é uma obra de teoria política, não é um manual para a vida, não aponta um caminho para a solução dos gravosos problemas que nos atormentam, porém, é um livro de História Contemporânea, justo, honesto, verdadeiro e isento. É um testemunho pessoal sem pretensões políticas, é a reposição da verdade dos acontecimentos. Os portugueses merecem respeito, têm direito a um futuro com dignidade e esta obra, se não mostra um caminho, abre a porta, não ocultando a galeria de horrores destes infernais 34 anos, para que se debata com seriedade o passado e o presente, e se apontem as forças criadoras, que as há entre os portugueses, para que o futuro ainda se possa corrigir. Transcrevo apenas alguns fragmentos uma vez que não é viável a publicação integral do livro neste espaço. O 25 de Abril dos cravos vermelhos, o mesmo é dizer das cavilhas soviéticas, já de si moribundo e nauseabundo, morreu com este testemunho, aguardemos agora pelo seu tardio enterro. Não tenho dúvidas em afirmar que há o antes e o depois da publicação do 25 de Abril de 1974 pelo Sr. General Silva Cardoso, deixando antever que profundas transformações estão para acontecer em breve na sociedade. Sopram já os ventos de mudança. Escutemos:

«E os militares de 1928 imbuídos dum sentido patriótico forte e genuíno, sem vinculações políticas ou ideológicas, cumpriram uma missão altamente responsável e salvaram o País duma situação dramática que ameaçava mesmo a existência de Portugal como Nação.
Ao contrário, os principais organizadores da revolução chamada dos “cravos”, conhecidos como capitães de Abril, não só não encontraram um chefe com a estatura nacional adequada para chefiar o movimento, como se encontravam contaminados por ideologias de carácter marxista e de obediência estrangeira, cujos principais objectivos era desmantelar o Estado Novo e acabar com o Ultramar.
Apesar da conjectura externa ser altamente desfavorável, como foi a grande depressão mundial de 1929, a guerra civil de Espanha e a II Grande Guerra, Portugal, vinte anos mais tarde, em 1949, é convidado para membro fundador da NATO e em 1955 entra para a ONU como membro de pleno direito. Tudo isto conseguido pelo homem de Santa Comba Dão que agia dentro dos princípios enunciados por Ezequiel de Campos: saber, virtude e autoridade. Este homem, hoje, ou melhor, desde a revolução dos cravos, chamado de fascista, megalómano e ditador, etc…, mas simples e competente, não deixando de cometer erros como todos os humanos, foi na altura o homem providencial para tirar o país do pântano. Deste homem, Salazar, um estadista de projecção mundial, disse De Gaulle ao Dr. Manuel Nazaré que o considerava “um dos maiores estadistas do mundo”. Também o insuspeito Prof. Doutor António José Saraiva havia de afirmar: “Conseguiram-se coisas hoje inconcebíveis, como a neutralidade na II Grande Guerra….. e também, pela primeira vez desde Pombal, pôr fim à tutela inglesa…. E hoje vemos, com uma dura clareza, como o período da nossa História e que cabe o nome de salazarismo foi o último em que merecemos o nome de Nação independente. Agora em plena DEMOCRACIA e sendo o povo SOBERANO, resta-nos ser uma reserva de eucaliptos…”. Por sua vez, o historiador Prof. Doutor José Hermano Saraiva, irmão daquele, em entrevista ao jornal “O Semanário” em 1998, à pergunta sobre qual a figura máxima do século, respondeu: “Evidentemente Salazar – que tornou esta pobre nação numa ilustre Nação que era um emblema do Ocidente”.
É pois de perguntar: um estadista de tão alto nível poderá ser tão displicentemente julgado pelo que não pôde fazer, abstraindo-se pura e simplesmente do que fez?» (pág. 100-101)

“O cravo vermelho foi inicialmente símbolo do trotskismo, mas quando este movimento e o seu líder, Trotski, foram aniquilados por Lenine, este passou a adoptar o cravo vermelho como símbolo do comunismo”. (pág. 106).

“Mário Soares é responsável por muito choro e ranger de dentes de muitos milhares de seres humanos; não merece ficar para a história como um homem grande. Pelo contrário, é mister que mais alguém diga o que sabe para que possa ser julgado no tribunal da história e ser sepultado em campa rasa na memória do povo português.
Quanto à outra figura negra que perpassa em fundo ao longo destas linhas, Álvaro Cunhal, mais não foi que um títere nas mãos do aparelho comunista internacional. Tentou implantar em Portugal uma ditadura que, quando em vigor, faria de Salazar o maior democrata português do Século XX. Cumpriu os planos do internacionalismo soviético, mas fê-lo com a convicção de que lutava por uma causa e não por interesse ou ânsia de poder pessoal.” (pág. 198).

“Em 25 de Abril ocorreu realmente a revolução da perfídia. Toda ela estava viciada, chocou-se um ovo de monstro no nosso ventre que, quando a casca se partiu, rapidamente cresceu e nos quis devorar. Os portugueses resistiram e fizeram-lhe frente, mas dos seus tentáculos cortados escorreu um visco venenoso que ainda hoje se agarra a tudo e nos tolhe os movimentos. Fomos aldrabados por “heróis” de pacotilha que se encheram de honras e de dinheiros fáceis. O sonho rapidamente se transformou em pesadelo e aqueles que já acordaram rangem os dentes de impotência.” (pág. 225)


Bibliografia:
General Silva Cardoso, 25 de Abril de 1974 A Revolução da Perfídia, Editora Prefácio, Lisboa, 2008.

sexta-feira, 21 de Novembro de 2008

Pensamento Político de António Sardinha (Parte 2)

Ao Princípio era o Verbo, 1924

“Destruidora do princípio da solidariedade dos povos e dos indivíduos, difundido pela religião de Cristo, a Reforma inaugura em matéria religiosa o individualismo, isto é, a sobreposição da razão pessoal à razão geral, a vitória da razão imediata contra a razão eterna” (PEV, pág. XVII).

“Mau carácter, mau soldado e mau patriota, - chamei eu a Gomes Freire. Gomes Freire é o tipo completo do desnacionalizado, em quem o nefasto filosofismo do século XVIII ganhou bem cedo raízes profundas. […] a fama atribuída a Gomes Freire como general de talento não é mais que uma invenção sectária da Maçonaria, procurando engrandecer-se, engrandecendo a figura dum dos seus Gran-Mestres. […] a Maçonaria servia os desígnios de Napoleão” (PEV, pág. 46-47-50).

"Os espectáculos da Revolução Francesa, decepando em dez anos 17.000 cabeças, enquanto a Inquisição com os seus piores exageros queimou em Portugal 1.500 pessoas durante o prazo largo de dois séculos" (PEV, pág. 64).

Sobre Antero de Quental: “Quem traduzia uma tam profunda inquietação espiritualista, nunca se acomodaria certamente nos baixos conceitos do racionalismo então no Capitólio. Sem hesitar, eu considero Antero um percursor das modernas filosofias da intuição. Sentindo-os amargamente, ele viu como ninguém os exageros dissolventes do racionalismo. E como ninguém, procurou obter nas suas meditações de isolamento e de contemplativo a aliança do Pensamento com a Acção” (PEV, pág. 99).

“a liberdade teórica das repúblicas só se efectiva e garante à sombra da Realeza, - dentro de uma Monarquia, mas das puras, das verdadeiras” (PEV, pág. 126).

“O absolutismo dos Reis entra a perverter a noção cristã de Autoridade. Aparece de seguida a Renascença com a idéa naturalista do Poder e o seu centralismo excessivo, mesmo despótico. Pela primeira vez êsse centralismo é empregado pelos príncipes contra os seus súbditos, quando a rebeldia de Lutero quebra a unidade moral da Europa” (PEV, pág. 134-135).

“o Estado napoleónico, baseado não na noção histórica de autoridade, derivada da Família, da Comuna e da Corporação, mas no simples conceito materialista da força e do domínio” (PEV, pág. 136).

“democracia deve ser riscada, banida e esquecida, como puro sinónimo de degenerescência, expressão da desorganização e da pulverização” (PEV, pág. 138).

Sobre Oliveira Martins: “Assim terminou a sua vida setenta e quatro anos contados sobre a revolução de 1820 quem foi em Portugal uma das mais ilustres vítimas do Liberalismo. Nosso percursor, Oliveira Martins ensina-nos que uma idéa não triunfa emquanto não alcança a sua franca maturidade e emquanto se não cria à sua volta dela um estado de espírito disposto a aceitá-la” (PEV, pág. 172-173).

Sobre el-rei D. Sebastião: “Tal foi o rei que em 4 de Agosto de 1578 se sumiu para sempre nos areais de Alcácer. Ao engolfar-se no mais duro da batalha, saiu-lhe da boca a formidável palavra: - «A liberdade real não se perde senão com a morte!»” (PEV, pág. 187.

“a base da sociedade é a família, - e não o indivíduo. O Erro revolucionário, desprezando essa razão natural, levou-nos assim ao desmentido das regras eternas que condicionam a existência dos povos” (PEV, pág. 191).

“nós, os integralistas, partilhamos da opinião do marquês de la Tour du Pin. Não somos conservadores, - dada a passividade que a palavra ordinariamente traduz. Somos antes renovadores, com a energia e a agressividade de que as renovações se acompanham sempre” (PEV, pág. 194).

“ Se abertamente pugnamos pela reconstituição da nobreza nacional, como factor imprescindível para a reorganização do nosso país, é porque há muito reconhecemos ser a Nobreza um facto inerente à natureza do homem” (PEV, pág. 195).

“o futuro da raça está em perigo e o movimento democrático que tende a transferir toda a importância social para as classes pobres e degeneradas, é um verdadeiro suicídio da humanidade”. (PEV, pág. 200).

“para o tradicionalista o indivíduo vale apenas pelo grupo a que pertence” (PEV, pág. 201).

“a concepção materialista da sociedade, saída dos «Direitos do Homem», com o indivíduo por princípio e fim de si mesmo. Desprezaram-se as forças espirituais que são o segredo fecundo da boa saúde colectiva” (PEV, pág. 208).

“A plutocracia representa assim, por via da regra, um agente de perturbação e de iniquidade” (PEV, pág. 210).

“Tais são as galantes consequências da Democracia! Declarando todos os cidadãos iguais perante a lei, – excepção feita a seus talentos e virtudes –, se aboliu a hereditariedade moral e social, deixou ficar intacta a hereditariedade económica. […] Citando Lamarzelle: “Outrora não havia necessidade senão duma pequena quantia para alguém se estabelecer, para adquirir os meios precisos para o exercício duma profissão comercial ou industrial, para se tornar independente. Hoje já não sucede o mesmo, porque o capital subalternizou uma infinidade de pessoas que antigamente seriam autónomas” (PEV, pág. 211-212).

“Se a fortuna se herda, porque é que o mérito e a honra se não hão-de herdar, com as mesmas vantagens sociais de que a fortuna se acompanha?” (PEV, pág. 215).
Citando Bonald: “A natureza é avara de homens superiores, e distribue com abundância homens medíocres. O homem autenticamente superior aos outros homens, aquele que a natureza faz nascer para cumprir os seus desígnios sobre a sociedade, eleva-se sempre, a-pesar-de todos os obstáculos, à situação que a natureza lhe aponta”. (PEV, pág. 224).

“Pátria vem de «terra patrum», - a terra dos Avós, a terra dos Antepassados. Amar a Pátria é respeitá-la na fisionomia sagrada que os nossos Mortos lhe imprimiram “ (PEV, pág. 238).

“quando Pombal entendeu desacreditar pelos processos mais baixos a acção moralizadora e cultural da Companhia de Jesus. É onde começa entre nós a história sectária, – a história parcial e criminosa” (PEV, pág. 240).

“D. Carlos manifesta-se um Bragança perfeito na sua psicologia de artista exigente, em quem a diplomacia traduzia a qualidade tónica do seu atavismo belamente dotado. Abateram-no como um lobo a uma esquina. Nesse momento Portugal suicidava-se” (PEV, pág. 251).

Em relação à Rússia de Lenine: “O individualismo sentimental de Jean-Jaques Rousseau torna-se assim, passado um século, no «insolidarismo total»” (PEV, pág. 297).

“Em que consistia, conforme a Escolástica, a «comunidade perfeita»? Na comunidade que se basta a si mesma” (PEV, pág. 306).

Bibliografia:
António Sardinha, Ao Princípio era o Verbo, 2ª Edição, Edições Gama, Lisboa, 1940.

terça-feira, 18 de Novembro de 2008

Pensamento Político de António Sardinha (1ª Parte)

António Sardinha nasceu em 1888 no Alentejo e faleceu prematuramente aos 36 anos de idade. Em 1913, convertendo-se ao Catolicismo e à Monarquia, inicia um combate heróico a favor da restauração do Regime Tradicional distanciando-se do Absolutismo instituído pelo Iluminismo despótico importado de França. Remetido para a clandestinidade cultural António Sardinha é indiscutivelmente uma das figuras cimeiras do pensamento nacional, um impar doutrinador político, inconveniente para o obscurantista sistema cultural vigente. António Sardinha distingue cuidadosamente o Realismo que defende do indesejável Absolutismo, pois entende que, o poder real, longe de ser absoluto é apenas um poder complementário. A realeza é concebida como “Função unificadora”, “órgão essencial do Estado”, "órgão coordenador e necessário", “elemento estático, traduzindo finalidade e continuidade”, "energia consciente”. Contrariamente à monarquia aplaudida pelo maçon Marquês de Pombal, mergulhada em exagero absolutista, em voga no século XVIII, na concepção integralista sustenta-se que a monarquia tradicionalista não se baseia no conceito romano de império.


Teoria das Cortes Gerais, 1924

“A história em Portugal ensina-nos a odiar a Igreja e a Realeza, sem a acção convergente das quais nós não teríamos subsistido autónomos na nossa pequenez” (TCG, pág. 12).

“Não é uma monarquia firmada no conceito romano do imperium” (TCG, pág. 13).

“Foi, efectivamente, em nome das Cortes Gerais que os maçons de 1820 se apossaram do poder e por pouco não derrubaram o trono” (TCG, pág. 13).

“A vitória do internacionalismo revolucionário com os falsos heróis do Mindelo desenraizou-nos a pátria tradicional, a pátria eterna, e pátria que os nossos Mortos a criaram como ela é” (TCG, pág. 14).

A fonte do mal e a perversão que a caracterizava estava bem identificada: “o jogo secreto dos conventículos maçónicos, depositários dos papiros da Revolução” (TCG, pág. 15).

“Há uma identidade profunda entre o dogma da vontade suprema do monarca e o dogma da soberania do povo. Ambos derivam da concepção materialista do Poder com precedentes da ideia pagã do imperium” (TCG, pág. 16).

“O princípio absolutista é de natureza essencialmente revolucionária e foi ele que preparou a vitória do espírito democrático” (TCG, pág. 17).

“A nossa Realeza tradicional é a realeza mediévica” (TCG, pág. 19).

“A calúnia contra a Idade Média é a calúnia contra a Igreja […] a Igreja, rezando, vigiando e trabalhando, lançou os alicerces da nossa Europa” (TCG, pág. 20).

“procurando reatar a tradição medieval interrompida pelo individualismo nefasto da Renascença” (TCG, pág. 22).

“A Idade Média afirmou e praticou a distinção entre o espiritual e o temporal, que é a única garantia eficaz da liberdade humana” (TCG, pág. 22).

“Pelo cristianismo a Idade Média dignificou a personalidade do homem” (TCG, pág. 22).

“É da Idade Média a realeza de poder autónomo, mas limitado, em que as classes cooperam com o monarca como partes de um todo conforme” (TCG, pág. 23).

“Na concepção política da Antiguidade o indivíduo pertencia ao Estado, que se encarnava na omnipotência caprichosa de César […] O edifício social pagão tinha o Imperador por cúpula e a escravidão por alicerce” (TCG, pág. 25).

“Só quando o Cristianismo aparece a pregar que escravos e senhores tinham um pai comum, - O que está nos Céus, é que o indivíduo entrou na posse da sua consciência moral e conheceu a liberdade verdadeira na verificação da palavra de Jesus que, mandando dar a César o que era de César e a Deus o que era de Deus, separava para sempre na ordem das coisas da vida o interesse espiritual do interesse temporal” (TCG, pág. 26).

"Reconhecida a independência da personalidade humana, Sobre esse traço espiritual a sociedade se restaurará" (TCG, pág. 26).

“A família, desenvolve-se como célula fundamental, oferece na sua composição íntima a natureza do Estado” (TCG, pág. 29).

Distanciando-se do notável contra-revolucionário Charles Maurras e aproximando-se do historiador francês Adolphe Taine entende que o Renascimento, que deu à luz o individualismo e proporcionou o triunfo do liberalismo também é referido como uma fonte do mal: “A renascença é o mal irreparável donde deriva a decadência das nacionalidades cristãs […] desde a Renascença a cultura da mocidade se entregou exclusivamente aos poetas e aos filósofos que ignoraram Cristo” (TCG, pág. 32).

“O estoicismo é a criação filosófica mais elevada do mundo antigo. O que é, porém, o estoicismo? O estoicismo suprime a liberdade moral, não concebe, por isso, a liberdade política. O estoicismo é a teoria do Estado-romano. Submetendo o homem ao domínio inexorável da fatalidade, o estoicismo institui e legitima o cesarismo” (TCG, pág. 34).

”erro o supor-se que a liberdade é de data recente. De data recente é, sem dúvida, a liberdade enfática dos conluios revolucionários que nós sabemos por amarga experiência não passar de um pretexto quotidiano para as mais espantosas tiranias. Mas a verdadeira, a liberdade que exprime a concordância legítima da iniciativa individual com o interesse superior da colectividade, é na Idade Média que se origina e desenvolve” (TCG, pág. 43).

“A liberdade que deve consistir numa possibilidade geral de fiscalização na marcha dos interesses gerais sequestra-se e desaparece para dar lugar à matrícula partidária, como condição exclusiva de sucesso. Em detrimento da competência e da honestidade, triunfa o pedantocratismo e a plutocracia. As democracias são o viveiro mais florido dos insignificantes” (TCG, pág. 45).

“Tendo o indivíduo por princípio e fim de si mesmo, as democracias arruínam e oprimem todas as grandes bases da «constituição essencial» da sociedade. São contra a Família, são contra o Município, são contra a corporação, são contra a Igreja, são contra a Nacionalidade” (TCG, pág. 46).

“apertado parentesco dos regimes revolucionários com os regimes absolutistas, ambos eles são herdeiros naturais do cesarismo romano” (TCG, pág. 47).

As leis fundamentais das quais os reis eram fieis depositários: “princípios vitais da colectividade, - Família, Comuna e Corporação, ou seja Sangue, Terra e Trabalho” (TCG, pág. 115).

“Exerceu entre nós a Realeza a mesma função que exerceu em toda a parte, - a de assegurar a justiça uniformizando-a e colocando-a acima das ambições dos poderosos” (TCG, pág. 75)

“Do centralismo monárquico derivou, através dos dogmas absolutistas inaugurados pela Renascença, a perversão da Realeza, - o esquecimento das «leis fundamentais» do povo na hipertrofia crescente do Estado” (TCG, pág. 116).

Em defesa da Monarquia representativa contra a parlamentar cita uma passagem do sociólogo tradicionalista marquês de La Tour du Pin, eminente mestre da Contra-Revolução: “Com efeito, no regime parlamentar, o poder supremo é dividido, mas ilimitado, enquanto que, ao inverso, no regime representativo, ele existe integro numa só mão, mas limitado na esfera das suas atribuições pelo reconhecimento de outros direitos não menos naturais ou históricos, e não menos positivos. É esta a distinção fundamental, que, no entanto, escapa à maior parte dos conservadores liberais, que vêem no regime parlamentar o refúgio da liberdade, quando não passa de uma forma de cesarismo, isto é, da usurpação de todos os direitos por um suposto direito supremo, que não é senão a violência exercida legalmente pelo maior número” (TCG, pág. 123).

“Autoridade, continuidade e uniformidade nos órgãos governativos, liberdade, autonomia e fiscalização nos órgãos administrativos e representativos” (TCG, pág. 126).

A alternativa ao imperium de origem romana António Sardinha apresenta-nos a solução medieval, “a concórdia, que deve unir todos os homens, os poderosos e os fracos por um conjunto de direitos e deveres recíprocos” (TCG, pág. 127).

O Renascimento ressuscitando o Direito-Romano engendrou o Absolutismo: “Nada mais contrário das instituições medievais do que a vontade do Soberano fazer a lei! O Soberano aplica a lei, mas não é encarnação da lei” (TCG, pág. 133).

"um erro sem justificação nem desculpa, a afirmação vulgar de que o ardente movimento nacionalista, desenrolado à volta de D. Miguel I, tendia à consolidação do Absolutismo entre nós. Nada mais falso nem mais insubsistente, - insistimos. Trazido pela perniciosa aragem racionalista do século XVIII, o Absolutismo aclimatara-se em Portugal com a ditadura empertigada do Marquês [...] Pombal introduziu entre nós o exagero personalista do Estado" (TCG, pág. 171).

“o Estado deve ser para a Nação e não a Nação para o Estado. Ora tanto no Absolutismo, como no parlamentarismo, o Estado sobrepõe-se à Nação e trata-a como uma coisa feita para a servir apenas a ele” (TCG, pág. 200).

O Parlamentarismo “não é mais do que o antigo absolutismo, agravado pela irresponsabilidade e pelo anonimato da democracia e dos partidos” (TCG, pág. 201).

“tanto no Absolutismo, como no Parlamentarismo, a concentração do Estado prevalece abusivamente contra a unidade do Poder. Nos regimes orgânicos, como é o da Realeza pura, o Poder, encontrando limites, é por isso mesmo soberano, como autónomas são as instituições que o rodeiam e secundam, garantidas pela descentralização contra as absorpções ilegais do Estado” (TCG, pág. 202).

“em nome dos princípios de todos os séculos […] permita Deus que […] a Nação e a Realeza, possam tornar efectiva a intenção admirável da Carta de Lei de 4 de Junho de 1824” (TCG, pág. 204).
“a irreverência dum Eça e dum Ramalho, que, sem descortinarem ainda o pólo positivo duma solução, pela influência salutar de Proudhon, empreenderam resolutamente a demolição do Liberalismo. A imoralidade sistemática, atribuída aos romances de Eça de Queirós, traduz-se hoje como uma sátira cheia de intenção e de justiça à hipocrisia repelente duma sociedade, - a sociedade cartista” (TCG, pág. 224-225).

“o Integralismo Lusitano, fiel à doutrina que coloca o princípio acima da pessoa” (TCG, pág. 236).

“A legitimidade da instituição está acima da legitimidade da pessoa” (TCG, pág. 237).

“A ideia de «liberdade» pressupõe, antes de tudo, a ideia de «individualismo». Ora o «individualismo», «constituído como doutrina no século XVIII, desenvolveu-se singularmente durante o século XIX e em direcções opostas, indo do liberalismo conservador ao individualismo anarquista” (TCG, pág. 249).

“Não olvidemos nunca que o processus de formação da Realeza foi um processus histórico ou experimental, que naturalmente resultou na Monarquia por um sábio aprendizado dos homens dos séculos. Podemos considerá-lo, sem exagero de partidarismo ou de predilecções sociológicas, como uma autêntica conquista da civilização. Contrariamente, o Absolutismo, - sinónimo justíssimo de individualismo, e, portanto, de Liberalismo, Sovietismo e Anarquismo - , deriva um conceito ideológico da sociedade que, sem condições de existência na realidade imediata, apela para um passado remoto, - como é o da Roma Imperial - , afim de se organizar e perdurar, originando uma ordem jurídica violenta e indubitavelmente contra a natureza das coisas e dos factos” (TCG, pág. 250-251).

“Antero de Quental, Portugal Perante a Revolução de Espanha, 1868. […] Antero apelida Jean-Jaques Rousseau de «grande, mas desvairado filósofo», sendo a sua liberdade a «selvajeria» e a sua igualdade o «despotismo». (TCG, pág. 257).

Em relação ao mais espantoso e agonizante absolutismo na Rússia, o hediondo comunismo: “Uma escravatura inédita daqui se origina e, feita a revolução na Rússia para emancipação das classes produtoras, eis como Trotzky, – um judeu, como Lenine é um mongol –, manifesta a sua opinião acerca da «liberdade no trabalho» no informe apresentado ao IX Congresso do Partido Comunista, celebrado de 29 de Março a 5 de Abril do passado ano de 1920: - «A liberdade de trabalho é própria da sociedade burguesa. Para executar as ordens concernentes ao trabalho forçado obrigatório para todos, sem distinção de sexo, deve ser empregada a força armada. Os operários devem ser incorporados nas empresas e se introduzirá aí um regímen severo, com castigos disciplinares. Apenas as pessoas cheias de preconceitos burgueses podem protestar contra um tal sistema»” (TCG, pág. 269-270).

Origens da crise: “em causa o individualismo herdado da Renascença e da Reforma, mas conduzido ao completo triunfo pela Revolução Francesa” (TCG, pág. 273).

“não há «ideias velhas», nem «ideias novas». Há e haverá sempre «ideias sãs» e «ideias falsas» (TCG, pág. 274).

“o Estado contemporâneo, - monopólio opressivo nas mãos de minorias cúpidas e incompetentes, é um Estado de consumidores, e não de produtores, - é um Estado, cujos componentes denunciam espantosamente a mais incrível das inversões, qual é a da selecção dos piores, qual é a selecção às avessas. Porque? Porque, fundado sobre o indivíduo, - e não sobre a pessoa, apela invariavelmente para as paixões e não para as aspirações, - para o relativo, e não para o absoluto, para o material, e não para o espiritual, alimentando-se sobretudo, dum ilusório embuste, - o do antagonismo da liberdade com a autoridade” (TCG, pág. 276-277).

“Mas o que é a anarquia? É o insolidarismo total, de que a experiência russa nos mostrou a ante-câmara, - é o homem lobo do homem, é a nossa natureza inferior prevalecendo rugidoramente sobre a dignidade da nossa consciência de humanos. Como se vence a anarquia, - como se debelam as suas cem cabeças sempre renascentes? Pela instauração da Justiça. Só ela, a Justiça, é a verdadeira força da conservação” (TCG, pág. 280-281).


Bibliografia:
António Sardinha, Teoria das Cortes Gerais, 2ª Edição, qp, Lisboa, 1975.

domingo, 16 de Novembro de 2008

Palácio Nacional da Pena: Reduto do Espírito Superior Europeu

(Clicar na imagem para ampliar)

Recanto do melhor que há na Europa e no Mundo, suportando uma densa carga espiritual, o Palácio da Pena, construído em 1840, é imperdível e revitalizador pela grandiosidade cultural fruto dos eternos valores que ainda se cultivavam. A beleza exterior esconde em si uma reconfortante beleza interior. Numa zona de Lisboa cada vez com subúrbios mais degradantes e de amontoados de construções caóticas, salva-se por enquanto o sublime alto da serra de Sintra. Resistente a uma vulgaridade enojante que marcha rapidamente, a uma desconstrução que queima todos os vestígios de excelência, onde o génio criador das grandes obras está oprimido pela tirania da mediocridade legitimada por todos os poros institucionais, o palácio conserva-se majestoso. Neste contexto de opressão provocado pelo escândalo e pela agressão da arte moderna cujas raízes se encontram na arte primitiva da antiguidade e na subversão revolucionária é fulcral para a mente sã o deslumbramento provocado por lugares de rara beleza como este ícone da monarquia portuguesa.

quinta-feira, 13 de Novembro de 2008

Hegelianismo: Filósofos Autores do Idealismo à Direita de Hegel

Lista em actualização, agradece-se a compreensão e a contribuição dos leitores. Obrigado.


Alemanha:
Bruno Bauer, Karl Rosenkranz, Wilhelm Dilthey, Georg Simmel, Rudolf Eucken, Ernest Troeltsch, Theodor Litt, Eduard Spranger.

Itália:
Giovanni Gentile e Julius Evola.

Inglaterra e EUA:
Francisco Huberto Bradley, John Mactaggart, William Torrey Harris e Josiah Royce.

Portugal:
António José de Brito.

sábado, 8 de Novembro de 2008

Censurado o livro "Clube Bilderberg: Os Senhores do Mundo"

O incrível acontece entre nós, fica desta forma provado que não é só na América que tudo é possível, o livro de Daniel Estulin “O Clube Bilderberg”, um grande sucesso a nível mundial, foi retirado do mercado sendo a venda directa ao público proibida. Na FNAC foi-me dito que o livro se encontra esgotado, e já há mais de um ano, não sendo possível a sua aquisição, enquanto na livraria Bertrand disseram que era possível ainda a sua encomenda para particulares mas que a venda directa ao público se encontrava proibida e que o livro tinha sido retirado do mercado. Quem conhece o teor do livro sabe bem o incomodo que provoca para os donos do mundo. Mas como se explica que em plena democracia, onde se diz que há liberdade de expressão, se censure um livro que é a grande revelação dos meandros da política internacional?!
Quem ainda não tem esta extraordinária obra que corra para a Bertrand a ver se ainda consegue, por milagre, encomendar algum exemplar. Contudo, a verdade não pode ser calada, faça aqui o download do livro de Daniel Estulin da verdadeira História do Clube Bilderberg em formato pdf.

quarta-feira, 5 de Novembro de 2008

Entrevista do "Sexo dos Anjos" ao "Mente Vertical"

Mente Vertical - uma questão de atitude

Destaco hoje um blogue recente, já que, surgido em Agosto último, completará amanhã três meses em linha. É o Mente Vertical, de Simão Salgado. Pode dizer-se para já que é um blogue diferente, e que não receia o desafio de ser diferente. Não receia o difícil, nem ama o fácil.É uma esperança para uma blogosfera outra, longe da futilidade e do imediatismo que o modelo favorece. O tempo demonstrará se também neste meio a densidade e a solidez são trunfos decisivos. Entretanto, a persistência será a única forma de lhes dar a oportunidade de afirmação.Passo a palavra ao "Mente Vertical", isto é, a Simão Salgado, que prontamente respondeu às minhas impertinências.
a) Qual a razão que trouxe o "Mente Vertical" para o frenesim blogosférico?
- O país degrada-se a passos largos e um dos aspectos mais notórios é a falta de segurança interna, a qual é acompanhada por uma desagradável sensação de injustiça. Esta praga criminosa de que somos vítimas afasta os turistas e dá a sensação que estamos a viver uma espécie de incipiente guerra civil por enquanto ainda tímida, mas, cujas condições para que se agudize estão já reunidas: 500 mil desempregados; 80 mil dos quais licenciados; imigração crescente tomando contornos de colonização e que trucida os portugueses mais pobres; redução do PIB de ano para ano; mau funcionamento da justiça; recessão económica; endividamento familiar (alguém terá que pagar); ensino nada educativo e tremendamente medíocre onde reina a bandalheira total; etc... Portugal estagnou motivado pela igualdade rasca que não favorece os mais competentes e os mais inteligentes e nem deixa expandir os mais audazes e destemidos pequenos e médios empresários. É imperativo que os portugueses sejam avivados e conduzidos de volta à auto-estima e autodeterminação que merecem e a que têm direito por herança. Os nossos antepassados tanto sangue, suor e lágrimas verteram que temos o dever moral de os honrar dando continuidade à sua força criativa. Os nossos filhos legitimamente merecem o legado que com tanto sacrifício esses bravos nos deixaram. Imaginem se D. Afonso Henriques pudesse voltar do reino dos mortos e visse o estado em que está este povo e este país…
b) O "Mente Vertical" tem dado primazia a textos algo longos, e de densidade pouco habitual em blogues. Parece-lhe compatível essa orientação com as exigências deste tipo de comunicação, em geral caracterizada pela brevidade e superficialidade da mensagem?
- Na internet há lugar para toda a variedade de textos e para toda a forma de comunicação. O texto longo, não sendo o mais cómodo, é por sua vez o mais completo, surge assim, da necessidade de explicar aos leitores a coerência, a solidez e a alternativa efectiva e sustentável que representa a corrente idealista. Obviamente, para aqueles que se deleitam com telenovelas, para os espíritos mais passivos e que apenas procuram algum lazer, esses serão afugentados pelo comprimento das ideias, mas, os mais resistentes, os que procuram a verdade saberão tirar daí o devido proveito. A superficialidade desperta a atenção das pessoas para a realidade mas só o texto profundo demonstra que há outros campos, há outra interpretação da vida e do cosmos, onde não é possível o espaço para o caos, para a demagogia e para a corrupção, a que entretanto fomos habituados.
c) Existe um projecto de intervenção cultural e cívico que se exprime através do "Mente Vertical"?
- O problema essencial resume-se à questão da Ética. O "Mente Vertical" surge como uma alternativa à imoralidade e à decadência inculcada através dos órgãos de comunicação social com a conivência do ensino público. É um projecto apartidário, contudo não apolítico, que visa apresentar à sociedade portuguesa uma nova forma de organização social que gire, não em torno do nefasto materialismo, mas sim, ao redor do ideal, isto é do melhor bem possível para toda a comunidade nacional. O imobilismo não produz civilização, é preciso, pois, um dinamismo, um inconformismo prático que devolva a satisfação e a esperança aos portugueses. Há a necessidade de mudar, de corrigir os erros do passado. Desde o séc. XIX que a sociedade se concentra unicamente no indivíduo, desprezou-se a família, introduziu-se o erro absurdo de que a razão da vida é o próprio indivíduo e o seu máximo prazer. Mas, a história diz-nos o contrário, os povos que apostam na fertilidade, no amor ao próximo e que se entregam ao bem-comum acabam por dominar os povos obscenos. A razão da vida tem pois que estar na entrega para um valor mais elevado, esse valor mais elevado encontra-se na Família, na Comunidade, na Pátria e em Deus que é o Supremo Bem, o Todo-Poderoso. Repare-se que o materialismo, apesar de todo o conforto que tem para oferecer aumentou dramaticamente o número de pessoas abandonadas e outras tantas infelizes, muitas dessas pessoas acabam nos consultórios de psiquiatria e outras ainda acabam por cometer o suicídio, recordo que o suicídio em Portugal é a oitava causa de morte.
d) Na actual cultura de massas há lugar para a reflexão e para a fundamentação, ou haverá razões para pensar que a filosofia morreu?
- A verdade é que não temos alternativas, acabado o sonho de que “os homens nascem todos iguais”, cujas consequências são um pesadelo, de que afinal nem tudo é peace and love, e da constatação de que o mundo hippie só produziu mediocridades e desgraças com muito sofrimento à mistura, só nos resta encontrarmos uma saída através da profunda reflexão. A vida melhor só é possível quando o pensamento está em sintonia com a realidade. O mundo da ilusão, da fantasia e do fantástico só serve para retirar às pessoas a capacidade de se governarem de forma adequada. Depois, temos de observar que aquilo que foi destruído pela filosofia só pela filosofia pode ser reedificado. A Idade Moderna ofereceu à humanidade o presente envenenado do empirismo, do positivismo, do materialismo, da sociologia e são estas correntes que ajudaram à desconstrução civilizacional que agora no séc. XXI se tornou insuportável. Pensar cansa e desgasta mas viver sem pensar é vegetar e é permitir que outros conduzam as nossas vidas.
e) Pensa que a blogosfera pode consolidar núcleos de resistência, e pode ser o campo de partida para um combate eficaz ao "pensamento único"?
- A blogosfera é a única forma eficaz de corrigir a lavagem cerebral a que os cidadãos foram submetidos com a intenção maléfica de os levar a um hiperconsumismo e de os embrutecer espiritualmente para a partir daí mais facilmente serem manipulados para fins contrários aos seus próprios interesses. As pessoas agem agora contra si próprias, desprezam o espaço colectivo, endividam-se, desleixam-se, tornaram-se agressivas e insolentes de onde só o isolamento e a miséria lhes resta como destino. Na blogosfera é agora possível ver que há outras formas muito diferentes de estar em sociedade e de fazer política. Há 10 anos atrás vivíamos completamente nas trevas do pensamento único, não era possível ao cidadão comum sair da ignorância imposta. Hoje os cibernautas têm à sua disposição um mundo maravilhoso que propugna pela ordem e pela verdadeira liberdade para crescer onde se repugna veementemente a vigente liberdade medíocre que só destrói.
f) Uma vez que as paixões são contagiosas, o que gostaria de transmitir aos leitores do "Mente Vertical", e já agora aos do "Sexo dos Anjos"?
- Primeiro que tudo há a registar que a esperança deve ser a última a morrer, embora não seja fácil lidar com o número elevadíssimo de crimes de toda a espécie com que somos bombardeados diariamente. A decadência avança de tal forma rápida que parece que tudo está perdido, mas por outro lado, e validando aquilo que defendo, posso dizer que a questão da verdade dos valores é indesmentível. A verdade está gravada no coração de cada homem. O homem pode andar confuso, pode adoecer mentalmente, mas, há sempre uma força interior que o puxa para a verdade e essa força é mais forte do que os homens. Por outro lado, há ainda a questão dos ciclos, tudo tem um princípio e um fim, penso que o fim deste ciclo tenebroso está próximo, há uma grande insatisfação que cresce todos os dias. Os leitores do "Mente Vertical" não devem esperar encontrar nesse espaço lugar para a preguiça mental, os novos desafios não nos permitem facilidades, se queremos ser melhor do que eles, temos que o provar e essa tarefa não é fácil dado que o ambiente cultural em que estamos mergulhados está totalmente contaminado por falácias, mentiras descaradas e outras camufladas. Em relação ao "Sexo dos Anjos", tenho a dizer que há muito que o acompanho diariamente, é um blog consagrado no meio alternativo, de grande reputação e indispensável para o combate político-cultural. Merece por isso apoio de todos e reconhecimento público por aqueles que se encontram oprimidos com a bandalheira instalada pela totalitária, danosa e repugnante cultura de esquerda de cariz marxista. Recomendaria aos leitores que enviassem os melhores textos via e-mail para os endereços das suas listas de contactos.

sábado, 1 de Novembro de 2008

Positivismo e Idealismo na Ética


Antes de mais nada, creio que, para boa compreensão deste estudo, cumpre esclarecer o sentido nele atribuído às expressões positivismo, idealismo e ética.
Por positivismo entendemos a filosofia cujo núcleo essencial está na aceitação passiva do que aparece, do que é «dado». Evidentemente, em toda a filosofia há sempre um mínimo de reflexão crítica acerca do que aparece e do que é «dado» - porque a aceitação, sem qualquer reflexão crítica do que é «dado» e do que aparece, a ser possível e concebível, situar-se-ia no domínio do chamado conhecimento vulgar e não do conhecimento filosófico. O que caracteriza, porém, o positivismo enquanto filosofia é que, precisamente, a reflexão e a crítica tentam estabelecer que não se deve senão procurar aceitar passivamente o que aparece, o que é «dado», e limitar o exercício da inteligência a reproduzi-lo em fórmulas mais ou menos exactas e sintéticas. Trata-se, pois, de uma passividade voluntária, deliberada, inadmissível filosoficamente. Não vale a pena apontar desde já o absurdo da posição positivista e dizer que a reflexão crítica que decide aceitar o dado sem mais nada é algo que ultrapassa e, portanto, nega em acto, o próprio critério que está a estabelecer.
Apenas faremos duas observações: falamos no que é «dado», no que aparece perante a reflexão filosófica. Não nos referimos à natureza do que aparece, do «dado», e admitimos, assim, implicitamente, que o que aparece, o «dado», não seja equivalente ao que é «dado» e ao que aparece aos sentidos, conforme julga o senso comum. Estamos longe de excluir a possibilidade de um aparecer, de um «dado» puramente abstracto e lógico, de um fenómeno no sentido husserliano. E consideramos que a existir uma experiência autêntica das essências, a filosofia que nela se baseie merece sem dúvida alguma a designação de positivista. Em consequência, achamos lícito que os fenomenólogos classifiquem o seu método de positivismo das essências.
É claro que o carácter indiscutível da experiência empírica e o carácter assaz duvidoso da experiência eidética justifica que, de uma maneira geral, se não possa classificar de erro grave a identificação entre o positivismo e o empirismo, com base na identificação entre o dado e o dado empírico. Em todo o caso, se procurarmos usar um maior rigor terminológico, somos forçados a sustentar que o positivismo é algo mais vasto que o empirismo.
A segunda observação refere-se à maneira como devemos interpretar o pensamento de Comte, face à definição de positivismo por nós adoptada.
Augusto Comte foi talvez menos positivista do que se julga. Decerto, ele divulgou as palavras positivismo e filosofia positiva e apelou, insistentemente, para o «dado», o fenómeno, proclamando-o o alicerce do saber humano. Mas de que maneira o julgava alicerce do saber humano? Qual o motivo que o levava a pronunciar-se pelo «dado», pelo fenómeno? Era por ser simples «dado», pelo seu carácter intrínseco de «dado»? Imaginamos que não. Pelo menos na última fase da sua obra, na fase da Synthèse subjective, Comte sustentou que importava basear o saber no «dado», no fenómeno, por se tratar do único processo de satisfazer as necessidades intelectuais do homem, de disciplinar a sua mente. Encarava aquele, por conseguinte, não em si mesmo, antes em função da sua utilidade para o sujeito humano social. E daí que se desinteressasse de certos sectores da experiência e proscrevesse certas investigações científicas (as da astronomia cideral, por exemplo) por as considerar sem utilidade prática. Assim Comte merece muito de preferência o epíteto de pragmatista ao de positivista. Isto de acordo com a definição de positivismo que demos e em que se enquadram um Littré, um Stuart Mill, um Taine, etc., e na qual parecia também enquadrar-se o próprio Comte até vir a mostrar que as concepções teoréticas expostas no Cours de philosophie positive não passavam de uma mera parcela do seu pensamento total, uma parte de uma Weltanschauung global em que o conhecimento se subordinava e dependia da acção. O seu acatamento passivo do «dado» era condicional e limitado, consoante o revelam os trabalhos posteriores ao citado Cours.
É certo que a essa posição, superada por Comte, ficou vinculado o nome de positivismo e que todos os denominados positivistas a assumiram, sem quaisquer reticências ou acréscimos. E daí que se possa sustentar, sem grande paradoxo, que o autor do Appell aux conservateurs não teve muito de positivista.
Passemos agora ao sentido da expressão idealismo.
Damos-lhe um significado não inteiramente técnico-filosófico, embora aconteça que, em filosofia, o termo também seja usado na nossa acepção.
Chamamos idealismo à atitude do pensamento que se dirige a ideais, que visa ideais, procurando determinar-lhes a intrínseca validade e por eles guiar-se e orientar-se.
Podemos dizer que entre o positivismo e o idealismo há uma antítese.
De uma lado, a reflexão sustenta que a última palavra da sabedoria está na aceitação passiva do «dado»; do outro lado, sustenta-se que a tarefa da reflexão não está em aceitar o que lhe aparece mas sim em avaliar, em examinar criticamente o que se lhe apresenta, buscando o que, de facto, tem valor e merece dirigir os nossos actos.
Quanto à palavra ética, utilizamo-la na sua máxima latitude. A ética será, assim, o domínio dos valores, do dever-ser, do normativo e do respectivo conhecimento. Não a reduzimos a um sector determinado desse domínio, face a outros sectores do mesmo, como o direito, os costumes, a política, a economia, etc. Sustentamos que, em filosofia, o substantivo ética é, por vezes, empregado com tal amplitude. Basta lembrar Max Scheler, que inseria na ética toda a espécie de valores e o problema da sua apreensão, Spann, para o qual a ética dizia respeito ao normativo na sua totalidade e na sua maior amplitude, e Del Vecchio, que reduzindo a esfera do dever-ser à moral e ao direito englobava-os a ambos no que denominava de ética.
Advertimos que a existência do domínio dos valores, do dever-ser, do normativo e do respectivo conhecimento é qualquer coisa de certo e de seguro porque é impossível legitimamente negá-la. Pois quem afirmar que não há valores, que nada há que represente um autêntico dever ou uma autêntica norma, de duas uma: ou está a atribuir valor à sua tese, a supor que deve ser seguida e acatada e então sempre há valores, deveres e normas, ou não está a atribuir valor à sua tese, nem a imaginar que deve ser seguida e acatada e então a existência do domínio dos valores, do dever-ser, etc., continua a ser uma coisa que não é possível negar legitimamente.
Postas estas definições preliminares que não pretendemos sejam as únicas admissíveis, mas simplesmente que também são admissíveis no plano da filosofia, vamos tentar determinar as diversas relações entre a ética, o positivismo e o idealismo.
A atitude positivista de aceitação passiva do «dado», do que parece, transportada para o terreno dos valores, do dever-ser, do normativo, gerou duas posições sistemáticas fundamentais.
De acordo com uma delas, apenas é defensável a análise, com plena objectividade, daquilo que apresente qual norma, valor, dever-ser, sem nos pronunciarmos sobre a licitude ou ilicitude de semelhante pretensão.
A ética consistiria na descrição e na explicação do que se dá por valioso e nada mais. Tudo quanto fosse averiguar a validade do que se diz valioso, descobrir as autênticas normas, os autênticos valores, os autênticos deveres, seria de repelir, no campo da filosofia. A ideia de um saber prático constituiria contradição insanável.
É interessante observar que esta atitude positivista é assumida na ética, por pensadores que em gnoseologia, em ontologia, em metafísica, etc., nada têm de positivistas; por exemplo Schopenhauer e Croce.
O primeiro, na sua dissertação acerca do Fundamento da Moral, depois de citar a seguinte passagem de Kant: - «O que importa na filosofia prática não é dar as razões do que se faz, mas as leis do que se deve fazer» - escreve: «sustento, contra Kant, que o moralista, tal qual o filósofo, deve contentar-se em explicar e interpretar os dados da experiência, ou seja, o que é ou o que foi realmente, a fim de conseguir compreendê-lo».
E bastante mais adiante acrescenta: «Objectar-me-ão que a moral não tem que preocupar-se com o modo como os homens agem realmente e que é a Ciência que indica como devem agir. É, precisamente, esta concepção que eu contesto. Ponho ao contrário como fim da ética interpretar o modo de agir dos homens, tão diferente do ponto de vista moral, explicá-lo e fazê-lo remontar até à sua razão de ser última, Eis porque, para descobrir o fundamento da moral, não nos resta outra via senão a empírica, que consiste em procurar se existem acções a que seja necessário que reconheçamos um verdadeiro valor moral. Essas acções são os actos voluntários da justiça, de puro amor à humanidade e de verdadeira generosidade. Torna-se forçoso encarar essas acções como um fenómeno dado, que se tem de explicar racionalmente, isto é, fazer remontar às suas causas.».
Admitindo-se a nossa definição de positivismo, a atitude de Schopenhauer, na ética, é de um positivismo típico. Para ele as acções morais são dados que não põe, axiologicamente, em discussão. Não tenta sequer formular a interrogação: por que motivo temos de reconhecer verdadeiro moral aos actos de justiça voluntária, de puro amor da humanidade, etc.?
Anote-se de passagem, que se podia perguntar a Schopenhauer de que maravilhosa maneira conseguia ele discriminar, entre os vários comportamentos humanos, que não queria ajuizar, do ponto de vista do dever-ser, acções a que temos de reconhecer verdadeiro valor moral. Adiante, porém! Aceitemos que Schopenhauer, ao falar em acções com verdadeiro valor moral, apenas pretendia mencionar certa espécie de actos humanos, empiricamente existentes e sem qualquer espécie de mérito ou obrigatoriedade. Damos-lhe o benefício de uma duvidosa coerência. E acrescentamos que ao tentar explicar o fenómeno moral, Schopenhauer ultrapassava logo o dado experimental e entrava na metafísica. O seu positivismo, a sua passividade perante o que aparece, só tinha lugar face ao normativo, ao dever-ser.
Pelo que diz respeito a Croce, passa-se algo muito parecido. Croce ataca a possibilidade de um saber prático, de um conhecimento valorativo. Ele chama a atenção para o facto de que, no sistema da sua filosofia dello spirito, se não insere uma filosofia prática, mas uma filosofia della pratica.
A filosofia della pratica distingue dois tipos de volição – a volição particular ou individual ou económica, e a volição universal ou ética. Croce, ao descrever-nos a forma ética da actividade prática, parece, em certos momentos, estar, simultaneamente, a apontar-nos a indiscutível força normativa do universal e a traçar uma consequente regra de acção. Trata-se de uma ilusão, no entanto. Sem dúvida Croce sustenta a necessidade de a volição económica ser superada e ultrapassada pela volição universal ou ética; simplesmente tal passagem de uma para a outra é uma mera constatação de algo que tem de acontecer, a transição forçosa do estado A para o estado B, e não a expressão de um imperativo categórico, pois que Croce admite, perfeitamente, a legitimidade de volições económicas isoladas, conquanto proclame não ser possível limitarmo-nos a elas. O autor do Saggio sullo Hegel ao falar-nos da forma ética do espírito não está, assim, a mostrar-nos uma realidade a que tenhamos incondicionalmente de subordinar-nos. Está tão-só a traçar o quadro de um de dois esquemas possíveis da actividade do homem, sem emitir, ao fim e ao cabo, juízos de valor. Está a aceitar o que no plano do normativo se lhe apresenta, está a acatar passivamente o dado, sem o julgar sob o prisma do dever-ser.
Todavia, a par de um positivismo na ética que se limita ou pretende limitar-nos a narrar e a descrever, sem emitir apreciações e valorações, há, também, uma orientação positivista que tenta construir conceitos imperativos e normativos. São três os seus principais ramos: o sociologismo dum Durkheim ou dum Lévy-Bruhl; o utilitarismo dum Bentham e dum Stuart Mill e o positivismo jurídico.
Durkheim e Lévy-Bruhl claro que querem, primeiro, observar o comportamento do homem em sociedade, à luz da experiência.
Combatem toda a ética que comece por pôr o problema do que se deve ou não fazer. Antes, há que descobrir as tendências sociais na sua realidade efectiva. Depois então, será razoável enunciar prescrições ou regras, essas válidas porque científicas, porque ordenando que se diga o que tem base empírica e, nessa medida, solidez e consistência; a ética torna-se a simples aplicação das leis sociológicas.
Os utilitaristas, esses constatam que os homens procuram sempre o que lhes é útil e conveniente. Daí, passam a considerar obrigatórios os preceitos dirigidos à maneira mais eficaz de se alcançar o que é útil, o que convém aos homens.
Os positivistas jurídicos só conhecem as regras vigentes numa determinada sociedade, combatendo a noção de direito natural. Repentinamente, porém, começam a proclamar dever de todos o respeitar as normas efectivamente vigentes e a denunciar, com ardor, qualquer revolução feita em nome de preceitos superiores.
Esboçada, assim, uma visão do positivismo na ética, vamos tentar indicar, muito resumidamente, a maneira como o idealismo se comporta nesse domínio. O idealismo com a sua preocupação de pronunciar-se por ideais, de escolher ideais, colocado perante o reino dos valores do normativo, do dever-ser, procura, ao contrário do positivismo, determinar a validade dos vários valores, deveres e imperativos que se apresentam; procura encontrar um conhecimento seguro do que importa fazer, dos ditames a seguir, dos ideais a adoptar, em suma, com base na dilucidação entre verdadeira e falsa norma, certo e o errado dever, etc. Não aceita tudo quanto surge com a pretensão a valor, antes quer saber onde está, a sério, o valor, o autêntico valor. Em consequência, repudia tanto a ética reduzida a puro conhecimento do que aparece a dizer-se normativo, como a ética que tenta alicerçar deveres, com fundamento num conhecimento meramente descritivo.
O idealismo na ética situa-se, portanto, em oposição ao positivismo.
Chegados aqui, cumpre decidir qual a posição que devemos adoptar no plano ético – o positivismo ou o idealismo? Em nosso entender, o idealismo, pelas razões a seguir indicadas.
O princípio positivista da aceitação positiva do dado, se já por si, enquanto princípio, supera o dado e se contradiz, uma vez aplicado ao domínio dos valores, do dever-ser, do normativo, traz consigo novas contradições. Efectivamente, encarar os valores, o dever-ser, o normativo como qualquer coisa de dado, isto é, de um ponto de vista contemplativo, é negar o próprio normativo, os próprios valores. Estes, por definição, encerram uma pretensão à imperatividade, à obrigatoriedade. Não nos pronunciar sobre tal pretensão é, no fundo, negá-la, é não reconhecer os valores, as normas, na qualidade verdadeiras normas e valores. Encarar de fora o reino dos deveres, não nos decidindo por nenhuns, é repudiá-los a todos, proclamá-los a todos indignos de serem obedecidos. Mas se nenhum dever é digno de ser obedecido, não há, na realidade, quaisquer deveres, quaisquer valores, quaisquer normas. O domínio da ética é uma ficção, uma mentira. É legítimo negar-lhe a existência, dizer que não há normas ou regras a valer.
Nós vimos, porém, que é impossível sustentar, licitamente, que o reino dos valores, do dever-ser, das normas não existe, é uma mentira. Vimos que a ética, no sentido que demos ao termo, é algo de solidamente alicerçado a priori. Logo é a atitude positivista, por acarretar a destruição da ética, que se impõe repelir.
Sem dúvida, consoante expusemos, muitos positivistas tentaram ir além da simples descrição e contemplação do normativo e dos valores, ensaiando a construção de uma série de regras e preceitos. Todavia, tais regras e preceitos pretendiam fundamentá-los precisamente no estudo descritivo e contemplativo do domínio ético (que arrasta à sua negação).
Nessa medida, apenas acrescentam um paralogismo aos acima referidos. De facto, é impossível extrair do que acontece experimentalmente um único imperativo válido. Se os homens se comportam e comportaram sempre de certa forma, porque hão-de ter o dever de continuar a comportar-se do mesmo modo no futuro? Porque não hão-de poder livremente modificar a sua linha de conduta?
Quer dizer: o positivismo, nas suas diferentes orientações, parece inteiramente de repelir no campo ético. Por outro lado, julgamos que o idealismo é a única atitude conciliável com os valores, o dever-ser, o normativo. Valor, dever-ser, imperativo, concebem-se apenas se validamente obrigatórios e imperativos. Um valor que não tenha, forçosamente de se acatar é um falso valor, um dever-ser que não tenha, forçosamente, de cumprir é um falso dever-ser, etc. Assim, a tendência realmente ética está em discriminar o que vale e o que não vale. É maneira de se entrar no reino dos valores, das normas, dos deveres e de o conhecermos. De outra maneira nunca penetramos nele.
Nós demonstramos, contudo, que a atitude idealista aplicada ao domínio ético levava a averiguar onde estão as normas verdadeiras, os verdadeiros deveres, etc. Por conseguinte, na ética, tal como se impõe repudiar o positivismo, impõe-se que sejamos idealistas.
É essa a conclusão do nosso estudo.

Capítulo transcrito de:
António José de Brito, Estudos de Filosofia, Edições Panorama, 1962.

terça-feira, 28 de Outubro de 2008

Dois Modos de Ver da Vida do Campo: O Tradicional e o Revolucionário


Seis horas da tarde. A faina diária está terminada. A nobre tranqüilidade da atmosfera envolve a vastidão dos campos, convidando para o repouso e o recolhimento.
Um crepúsculo cor de ouro transfigura a natureza, fazendo brilhar em todas as coisas um reflexo longínquo e suave da inexprimível majestade de Deus. Ouve-se o tilintar do Ângelus, amortecido pela distância. É a voz cristalina e material da Igreja, que convida para a oração.
Rezam os camponeses. São dois jovens cujo físico manifesta a um tempo saúde e hábito já antigo de trabalho manual. Seus trajes são rústicos. Mas em todo o seu ser transparece a pureza, a elevação, a natural delicadeza de almas profundamente cristãs.
Arte Cristã voltada para Deus, e para os reflexos de beleza espiritual e material que Ele projeta na Criação.
Sua condição social modesta é como que transfigurada e iluminada por sua piedade, que incute respeito e simpatia. Em suas almas refulgem os raios dourados do sol, mas de um sol muito mais alto por todos os títulos: a graça de Deus.
Verdadeiramente, sua beleza de alma é o centro do quadro, o ponto mais alto da emoção estética. É linda a natureza, mas ela não serve senão de ambiente para a manifestação da beleza dessas almas reunidas pelo Filho de Deus.
Nada nestes camponeses indica desassossego ou mal-estar. Eles são inteiramente conformes a seu meio, a sua profissão, a sua classe. Que outra dignidade, que outra ventura poderia desejar este casal?
Millet reuniu admiravelmente em sua tela os elementos necessários para que se compreenda a dignidade do trabalho manual na atmosfera plácida e feliz da verdadeira virtude cristã.Nem todos os momentos da vida do campo são assim. Millet apanhou, no que chamaríamos um instantâneo feliz, um momento culminante de beleza material e moral.
Mas seu quadro tem o mérito de ensinar os homens a ver, dispersos na rotina da existência rural quotidiana, os lampejos genuínos e freqüentes desta fisionomia cristã das almas e das coisas num ambiente verdadeiramente vivificado pela Santa Igreja.
A atitude de espírito de Millet, que ele comunica a quem contempla sua obra prima, está toda voltada para Deus, e para os reflexos de beleza espiritual e material que Ele projeta na Criação.
Numa crítica psicológica do quadro, para ser exato, deveria deplorar apenas algum excesso de sentimentalismo.


Pesadelo da Arte Moderna


Poder-se-ia fazer o mesmo elogio do quadro de Yves Alix, também inspirado na vida dos campos, "Le Maitre des moissons"?
O autor não percebeu, não sentiu, não aceitou em sua visão do trabalho agrícola nada daquilo por onde ele se torna digno de ser praticado por um filho de Deus.
Neste quadro, não foi o espírito que dominou a matéria e a enobreceu; foi a matéria que penetrou o espírito e o degradou. Nos corpos, o trabalho material imprimiu uma brutalidade por assim dizer facinorosa. As fisionomias exalam um estado de espírito que lembra o botequim e o campo de concentração.
Se os personagens do segundo plano não parecessem de tal maneira endurecidos, se fossem capazes de chorar, suas lágrimas seriam de fel; se fossem capazes de gemer, seus gemidos seriam como o ranger de engrenagens.
A tristeza, a maldade, a cacofonia das cores, das formas e das almas se exala pela voz do personagem do primeiro plano. Não se sabe bem o que exclama, se uma ameaça ou uma blasfêmia.
Yves Alix reuniu e exagerou e deformou até o delírio os aspectos por ande o trabalho é uma expiação e um sofrimento, e a terra um exílio; exprimiu com uma fidelidade meticulosa - e como que entusiasmada! - o que na alma humana há de mais atroz e mais baixo, para apresentar o conjunto como aspecto real e normal da vida quotidiana, espiritual e profissional do trabalhador.
E por isto, enquanto da obra prima de Millet se evola uma prece, do pesadelo de Yves Alix se desprende um bafo de revolução.
Se Deus permitisse aos anjos embelezar a terra e a vida, eles o fariam no sentido de tornar mais freqüentes, mais duráveis, mais belos os aspectos que Millet procurou observar e reunir.Se Ele permitisse aos demônios desfigurar os homens e a criação, estes formariam, na alma e no corpo, e nos aspectos das coisas, personagens e ambientes como os do quadro de Yves Alix.
(Plinio Corrêa de Oliveira em Catolicismo, Setembro de 1951)

terça-feira, 21 de Outubro de 2008

Cuidado! Este tipo de gente vota!

Um amigo meu comprou um frigorífico novo e para se livrar do velho, colocou-o em frente do prédio, no passeio, com o aviso:
"Grátis e a funcionar. Se quiser, pode levar".
O frigorífico ficou três dias no passeio sem receber um olhar dos passantes.
Ele chegou à conclusão que as pessoas não acreditavam na oferta. Parecia bom de mais para ser verdade e mudou o aviso: "Frigorífico à venda por 50,00 €. No dia seguinte, tinha sido roubado!
Cuidado! Este tipo de gente vota!
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Ao visitar uma casa para alugar, o meu irmão perguntou à agente imobiliária para que lado era o Norte, porque não queria que o sol o acordasse todas as manhãs. A agente perguntou: "O sol nasce no Norte?" Quando o meu irmão lhe explicou que o sol nasce a Nascente (aliás, daí o nome e que há muito tempo que isso acontece!) ela disse: "Eu não estou actualizada a respeito destes assuntos".
Ela também vota!
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Trabalhei uns anos num centro de atendimento a clientes em Ponta Delgada - Açores. Um dia, recebi um telefonema de um sujeito que perguntou em que horário o centro de atendimento estava aberto.
Eu respondi: "O número que o senhor discou está disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana." Ele então perguntou: "Pelo horário de Lisboa ou pelo horário de Ponta Delgada?" Para acabar logo com o assunto, respondi: "Horário do Brasil."
Ele vota!
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Um colega e eu estávamos a almoçar no self-service da empresa, quando ouvimos uma das assistentes administrativas falar a respeito das queimaduras de sol que ela tinha, por ter ido de carro para o litoral. Estava num descapotável, por isso, "não pensou que ficasse queimada, pois o carro estava em movimento."
Ela também vota!
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A minha cunhada tem uma ferramenta salva-vidas no carro, para cortar o cinto de segurança, se ela ficar presa nele. Ela guarda a ferramenta no porta-bagagens!
A minha cunhada também vota!
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Uns amigos e eu fomos comprar cerveja para uma festa e notámos que as grades tinham desconto de 10%. Como era uma festa grande, comprámos 2 grades. O caixa multiplicou 10% por 2 e fez-nos um desconto de 20%.
Ele também vota!
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Saí com um amigo e vimos uma mulher com uma argola no nariz, ligada a um brinco, por meio de uma corrente. O meu amigo disse: "Será que a corrente não dá um puxão cada vez que ela vira a cabeça?" Expliquei-lhe que o nariz e a orelha de uma pessoa permanecem à mesma distância, independentemente da pessoa virar a cabeça ou não.
O meu amigo também vota!
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Ao chegar de avião, as minhas malas nunca mais apareciam na área de recolha da bagagem. Fui então ao sector da bagagem extraviada e disse à mulher que as minhas malas não tinham aparecido. Ela sorriu e disse-me para não me preocupar, porque ela era uma profissional treinada e eu estava em boas mãos."Agora diga-me, perguntou ela... o seu avião já chegou?"
Ela também vota!
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À espera de ser atendido numa pizzaria, observei um homem a pedir uma pizza para levar. Ele estava sozinho e o empregado perguntou se ele preferia que a pizza fosse cortada em 4 pedaços ou em 6. Ele pensou algum tempo, antes de responder: "Corte em 4 pedaços; acho que não estou com fome suficiente para comer 6 pedaços."
Isso mesmo, ele também vota!
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Agora já sabem QUEM elege os políticos!...

...É duro de ouvir, não é?.......mas é verdade!


Fonte: Recebido por e-mail

domingo, 19 de Outubro de 2008

Funeral de Jorg Haider: 25 Mil Pessoas



sábado, 18 de Outubro de 2008

Conquistas de Abril: Dois Milhões de Pobres

Notícia também na TVI.



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